Segunda, 03 Julho 2017 22:14

Homem vive há 11 anos em túmulo abandonado de cemitério; vídeo

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"Tem um monte de gente que se assusta comigo". Foto: J.C. Fragoso/O Diário

 

Há 11 anos o pedreiro Edson Carvalho vive num túmulo abandonado dentro do Cemitério de Marialva, na região de Maringá - PR. "Tem um monte de gente que se assusta comigo", diz, sob gargalhadas, garantindo que não é uma alma penada.

Muitas pessoas que residem nas imediações conhecem a história do Edson, considerado “gente boa, bacana e querido por todos", como afirma a professora Maedani Moreira. "É um homem muito engraçado e inteligente. Sou amigão dele: a gente sempre toma umas pingas", orgulha-se o caminhoneiro Adriano.

Medindo um metro e setenta, magro e com uma barba bem-feita num dos quatro banheiros do cemitério, que ficam abertos 24 horas por dia, Edson conta que se mudou para o cemitério em 2006, depois que o barraco em que morava, no bairro Novo Horizonte, foi atingido por um incêndio.

"Perdi tudo o que tinha", relata ele sobre o RG, as roupas, o par de tênis, o colchão e uma coberta.

Fetichistas

À noite, quando Marialva está dormindo, o cemitério ganha nuances eróticas e sensuais. Casais fetichistas, na calada da noite, pulam a mureta para realizar seus desejos, crentes de que as únicas testemunhas da luxúria são as almas enterradas.

Nem desconfiam que há um voyeur dentro de um dos mausoléus, acompanhando todos os detalhes picantes das relações. "Eu vejo tudo o que eles fazem", revela, com um jeitão sacana, orgulhoso de sua moradia privilegiada.

Controvérsia

Mas nem todos os vivos aprovam da presença de Edson no meio dos mortos, conforme atestou o jornalista Alexandre Gaioto, de ‘ODiário’. O novo coordenador do cemitério, Alexandre Modesto, é um dos principais críticos dessa permanência inusitada.

Desde que assumiu o cargo há seis meses, Modesto já autorizou duas notificações para que o morador abandonasse o mausoléu. "O fiscal vai lá pela manhã e nunca encontra ele no mausoléu", afirma, queixando-se que o inquilino é "baderneiro" e que aborda as pessoas, durante os enterros, para pedir dinheiro.

As declarações de Modesto, porém, não correspondem aos relatos dos próprios funcionários do cemitério, conforme apurou a reportagem. "Edson não é baderneiro: é sossegado, na dele", comenta um servidor municipal que trabalha na necrópole e não quis ser identificado. "Nunca vi ele pedindo dinheiro em enterro", ressalta outro funcionário público, que também preferiu não ter o nome revelado.

 

(Com informações de ODiário)

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