Sexta, 14 Julho 2017 19:45

Bilhete de R$ 3 milhões de apostador pode estar no lixo no RS

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Foto: Roni Rigon/Agencia RBS

Ambição de boa parte dos brasileiros, acertar as dezenas da loteria nem sempre é garantia de felicidade. Um apostador de Caxias do Sul que diz ter acertado sozinho os cinco números do sorteio 4417 da Quina, de 30 de junho, entende bem essa sensação: ele afirma que perdeu o comprovante da loteria. A Caixa só permite a retirada do prêmio com a apresentação do canhoto e, até o fim da tarde desta sexta-feira, o valor não havia sido retirado. Jogador assíduo há pelo menos uma década, o rapaz de 34 anos vive um misto de angústia e esperança, já que o pedaço de papel que garantia a bolada de R$ 2.944.607,27 pode estar perdido em uma reciclagem ou em aterro de Caxias do Sul.

— Eu estou conseguindo tocar em frente porque não vi o dinheiro, nem tenho ideia do que é. Se eu tivesse visto o bilhete de novo, ou pensado direito nesse dinheiro, o cara não consegue ficar tão bem— explica.

A história poderia ter um desfecho diferente caso o técnico em manutenção não tivesse conferido os números de um sorteio impresso nas páginas do jornal do dia. Ele leu, checou e lamentou não ter acertado _ contudo, os números era de um outro sorteio. Seguiu para as tarefas do dia e deixou o bilhete jogado em uma mesa no canto da oficina onde trabalha, no bairro Fátima, consertando lavadora de roupas e outros eletrodomésticos. Quando o sócio dele perguntou se podia descartar o canhoto da Quina, o apostador concordou, numa atitude nada convencional dele, que garante guardar todos os comprovantes dos jogos em uma pastinha.

— Naquele dia, não sei por que, foi tudo diferente. Eu nem pensei duas vezes, eu disse: pode jogar fora. Ele (colega) colocou no nosso lixo, e não lembramos onde foi descartado porque cada dia fizemos um itinerário diferente, e deixamos em algum contêiner no caminho da entrega — lamenta.

A aposta que se perdeu foi feita na sexta-feira, dia 30 de junho, no mesmo horário de costume e na mesma na lotérica. Além de jogar os mesmos números habituais (soma de aniversário, data de casamento, nascimento de familiares), pediu à atendente da lotérica Zebrão um jogo às escuras. Nesse caso, os números são escolhidos aleatoriamente pelo computador. O resultado não agradou tanto:

— Partia de 35 e chegava a 76. Que jogo feio, eu disse. E a atendente pediu se eu queria trocar, e eu falei que não.

Talvez a única vez do ano em que ele não colocou os pés na lotérica foi a semana seguinte ao sorteio. O aniversário da filha de 6 anos ocupou todo o tempo extra: a festinha aconteceria no próximo fim de semana. Ao retornar à lotérica, quase uma semana depois, diz ter ouvido parabéns das atendentes. Não entendeu, e ao ver os números sorteados naquele sorteio, lembrou do "jogo feio" e sentiu uma infelicidade sem tamanho, pois se deu conta que havia permitido ao sócio o jogar o canhoto milionário no lixo. O apostador recebeu uma mensagem de texto do colega, onde o companheiro de empresa desabafou sobre a sensação de culpa que carrega:

"Amigo, eu não estou nem conseguindo dormir à noite. Você me disse uma semana antes que queria ganhar na loteria para ajudar teus pais, tua família. Eu peço mil desculpas", diz o recado.

Mesmo sabendo que precisaria trabalhar pelo menos 150 anos para arrecadar os quase R$ 3 milhões _ ele ganha cerca de R$ 5 mil mensais, o apostador pretende seguir com o hábito de estacionar em frente à lotérica Zebrão diariamente. Ele gasta cerca de R$ 500 por mês em jogos, e não irá reduzir o investimento:

— Minha filha me disse que vou ganhar de novo. E eu acredito nela.O valor fica disponível por 90 dias.O nome do apostador está preservado por questões de segurança.

História não é inédita em Caxias

Esta não é a primeira vez que um bilhete premiado teria parado no lixo em Caxias do Sul.

A história se repetiu em julho de 1990, quando o vidraceiro Pedro Luiz Rossi se confundiu ao conferir os números da loteria e jogou o bilhete no lixo. Ao notar o erro, no dia seguinte, Rossi e três amigos procuraram o bilhete entre a sujeira, no lixão. A notícia se espalhou e outras pessoas tentaram a sorte. Uma mulher encontrou o cartão premiado e o entregou ao marido, o carteiro Adão Camargo - o bilhete foi guardado num armário da agência dos Correios.

Camargo e Rossi entraram em acordo e dividiram a bolada de Cr$ 15.908.118,72, equivalente hoje a R$ 8.655.648,34, segundo calculadora do Banco Central.

O resgate do prêmio

Somente com apresentação do bilhete e sua conferência pode ser garantida a retirada do prêmio. Pagamento superior a R$ 1.523,28 (bruto de R$ 1.903,98) pode ser realizado somente nas agências da Caixa. Valores iguais ou acima de R$ 10 mil são pagos após 2 dias de sua apresentação na agência da Caixa.

 

De acordo com a Caixa Econômica Federal, com o valor integral do prêmio (R$3.000.000,00), o ganhador poderá adquirir uma frota de 100 carros populares ou sete imóveis de R$ 400 mil cada. Se quiser investir na poupança, o sortudo poderá garantir uma aposentadoria de R$ 20 mil por mês.

O Pioneiro 

Ler 3501 vezes Última modificação em Sexta, 14 Julho 2017 20:40

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