Sábado, 12 Agosto 2017 11:31

Falta homem no RS? Gaúchas dizem que é mais fácil conhecer alguém fora do Estado

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Foto: Reprodução

“It’s raining men, aleluia!”, diz o hit dos anos 1980. Mas se The Weather Girls, que levaram a canção às paradas de sucesso, tivessem de fazer alguma previsão sobre Porto Alegre, provavelmente seria: mulheres, deixem os guarda-chuvas em casa. O tempo está seco e com poucas nuvens no céu. Pelo menos é essa a percepção de muitas solteiras. Alguma vez você já deve ter ouvido (ou feito) uma reclamação recorrente nas conversas entre amigas: “Está faltando homem”. E, quando o assunto entra na roda, é comum a comparação sobre como é estar solteira, ir a festas e paquerar por aplicativos em outras capitais ou até no Exterior. Não falta quem dê o testemunho de que, fora de Porto Alegre, os caras costumam chegar mais – e se puxar mais, investindo na conversa, sem ir diretamente aos finalmentes. Não é à toa que, na Copa de 2014, centenas de estrangeiros – celebrados pela espontaneidade e pelo bom papo – fizeram tanto sucesso entre as gaúchas a ponto de gerar ciúme entre os conterrâneos. Mas será que fora da nossa divisa é todo dia assim?

Fomos conversar com leitoras que se mudaram de Porto Alegre para contar como está a vida de solteira mundo afora. Spoiler: elas estão se dando muito bem, obrigada. Elas abrem o jogo nesta reportagem – e, por este mesmo motivo, preferem não se identificar. É o caso de uma analista de marketing digital de 29 anos que deixou Porto Alegre há dois anos. Depois de “um tempão” solteira e com uma rotina monótona na qual conhecer ou sair com alguém era uma exceção, a oferta masculina em Dublin, na Irlanda, impressionou. E a vida sentimental teve uma reviravolta:

– Às vezes, saio e fico até com dúvida para onde olhar, pois há muitos homens interessantes. E eles estão interessados em saber da tua vida, conhecer teu passado e tua história. Há muito mais interação do que em Porto Alegre.

O fator cultural, na percepção dela, é o que possibilita conhecer mais pessoas na balada e até nos apps. Na Capital, as saídas noturnas se limitavam aos círculos da faculdade e do trabalho que, por vezes, suscitam mais amizades do que romances. Na nova cidade, como não é tão comum se entrosar rapidamente com os colegas de empresa, homens e mulheres que querem conhecer pessoas estão mais abertos e investem no papo em outros espaços de convívio, aumentando as possibilidades de descolar paqueras.

– Vindo para cá, me dei conta de como os gaúchos estão acomodados. Acho que tem muita opção, e eles não se esforçam para querer chegar, te conhecer e levar alguma coisa a sério, nem que role só uma amizade – afirma.

A percepção de que os gaúchos “não chegam” é confirmada não apenas pelas conterrâneas, mas por mulheres de outras partes do Brasil, diz o sexólogo Carlos Eduardo Carrion:

– Atendo no consultório mulheres de outros Estados que acham os gaúchos muito fechados, dizem que eles têm medo de chegar. O cara fica mais na dele e só vai falar com as pessoas que ele mais ou menos pode prever o comportamento.

Enquanto isso, em Madri, uma gaúcha de 28 anos deixa escapar uma expressão de alívio pela mudança recente de ares ao saber do tema da reportagem.

– Que bom que eu saí daí! – diverte-se.

Ao chegar de muda na Espanha, ela não tardou a perceber que aproveitar plenamente a solteirice seria mais fácil no novo país. Depois de alguns anos levando uma vida sentimental monótona em Porto Alegre, aceitou o convite de um colega de trabalho espanhol para ir a um bar. Eram os primeiros dias na nova cidade.

– Chegando lá, havia outras pessoas próximas a ele, e um desses amigos, sem saber que já havia um clima entre nós, se aproximou mais e começamos a conversar bastante. Ficamos no bar até tarde e saí com o colega e o seu amigo para estender a noite em outro bar. Foi uma situação em que me vi obrigada a escolher entre duas pessoas superinteressantes, algo inimaginável até então – relata, antes de decretar:

Em Porto Alegre, não tem homem!

Uma frase para qual, de tanto escutar das mulheres no consultório, Carrion já tem resposta pronta.

– Claro que tem homem, mas os homens que têm, elas não querem. Elas querem aquele garotão, o bonitão. E esse cara, tem 10 querendo ele. Então, nove vão ficar sem.

O especialista remonta a décadas atrás para embasar sua explicação. Acredita que a emancipação da mulher fez (ainda bem!) o nível de exigência subir consideravelmente nos últimos 15 anos. Ao consolidar seu lugar no mercado de trabalho e no ensino superior, elas buscam um parceiro que acompanhe seu padrão cultural e até econômico.

– A porto-alegrense não está naquela de ‘na falta de tu, vem tu mesmo”. Noto que elas não querem qualquer um. Qualquer um serve para uma balada, para sair, dançar. O nível de exigência das mulheres na Capital é mais alto. E daí, até estatisticamente, começa a faltar homens mesmo. Porque todo mundo quer um príncipe encantado, e o que tem é um cara normal. Na vida real, o príncipe é burrinho, o príncipe não tem assunto… – explica Carrion.

Há conversas semelhantes no consultório da psicóloga e professora da Universidade Feevale Denise Quaresma. Ela concorda que as gaúchas se tornaram mais seletivas – e celebra que isso se deve ao fato de que as mulheres estão mais esclarecidas e têm refletido mais sobre suas escolhas.

– A independência financeira também atua como um forte fator em relação à escolha de um parceiro. Isso é muito positivo, pois pode possibilitar uma relação saudável, sem jogos de poder. Hoje, muitos homens abordam uma mulher e oferecem prontamente sexo. Muitas respondem: “E o que mais?” – explica Denise.

Uma publicitária de 40 anos que passou a juventude em Porto Alegre, onde casou e se separou, percebeu que era mais fácil se relacionar com homens de outros Estados e até de outros países quando se mudou para São Paulo.

– Em Porto Alegre, os caras não chegam para conversar contigo de maneira agradável como em qualquer outro lugar. Normalmente, eles estão em grupos só de homens e bebendo. Quando chegam para conversar contigo, os papos já são mais “agressivos”, mais na linha de querer te agarrar ou já com a certeza que tu queres ficar com ele.

Adepta de aplicativos como o Tinder e o Happn, a publicitária também relata que não se trata apenas de paquera. Ela acredita ser mais fácil e mais comum fazer um amigo homem em um bar de São Paulo do que nos de Porto Alegre:

– Em São Paulo, noto que os rapazes se esforçam para manter um papo agradável, e mesmo que você não dê abertura para nada mais, dali pode sair até uma boa amizade.

Carrion acrescenta que muitos homens carecem de assunto além do futebol, do trabalho e do carro:

– Está faltando para os homens uma certa poesia: saber ser sedutor, ter uma ideia de comprometimento com a relação. E aí entra a questão de que os homens porto-alegrenses realmente estão com uma dificuldade de se comprometer, de mandar uma mensagem no dia seguinte. E daí a mulher fala que “não tem homem pra mim”, porque o cara não mostrou competência. E os que têm, como ela quer, são poucos.

As mulheres também percebem a dificuldade para desenvolver algo mais sério. Está difícil ficar. E, para quem fica, está difícil namorar. Uma psicóloga de 31 anos que passou 2016 solteira em Porto Alegre – e disposta a namorar – só engatou uma relação depois de se mudar para o Rio de Janeiro, onde chegou há três meses. E só tem elogios aos cariocas.

– Todo mundo dizia que no Rio é difícil de se namorar, porque a galera só quer saber de pegação. Mas meu namorado me propôs isso pouco tempo depois de sairmos pela primeira vez. Eu me surpreendi e perguntei: “Mas tu não quer me conhecer melhor?” – conta ela, feliz da vida desde Copacabana.

Como jornalista homem da revista, fui instigado pelas colegas a opinar sobre a reportagem acima. Concordei com boa parte, mas faço algumas ressalvas. A principal delas é que, no meu ponto de vista, o problema está mais na geografia do que no gênero.

Digo isso porque o texto da minha amiga Rossana me remeteu imediatamente aos meus últimos dois anos de solteirice, um em Porto Alegre e outro em Brasília. Sim, gaúchos são pessoas difíceis. São mais fechados, sempre com um pré-julgamento sobre tudo (Grêmio ou Inter) e com uma objetividade que, a olhos de fora, soa como precipitação e grosseria. Só que não são apenas os homens. E, de minha parte, a principal diferença observada entre a vida de solteiro nas duas cidades não foi entre as porto-alegrenses e as brasilienses, mas no meu próprio comportamento.

Fui eu quem, em um contexto em que a faca nem sempre está na bota, me tornei uma pessoa mais aberta, mais sociável e naturalmente mais propensa a conhecer gente nova. Alguns exemplos: em Porto Alegre, eu morria de vergonha de usar aplicativos, com receio de esbarrar em gente conhecida. Em Brasília, dane-se. No Planalto Central, também frequentei festas com tipos de músicas que jamais frequentaria por aqui, pois deixei os preconceitos no Aeroporto Salgado Filho. Talvez as entrevistadas desta reportagem também tenham mudado ao sair do Rio Grande do Sul.

O efeito Copa, por exemplo, não foi porque os estrangeiros em Porto Alegre tinham bom papo. Todos vimos que muitos daqueles australianos mal abriam a boca antes de ficar com alguém. Foi porque, além de bronzeados e enormes, as gaúchas não eram fechadas a eles e não tinham pré-julgamento sobre eles. Deixaram rolar.

Ou seja, elas se deram bem na Copa não só porque foram visitadas por estrangeiros, mas porque foram menos gaúchas. Então, se a vida amorosa está difícil por aqui, me permita dizer com esse nosso jeitinho querido: a responsabilidade é dos dois lados.

 

Donna

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