Terça, 12 Junho 2018 06:51

Luto e frustração marcam o aniversário do incêndio da Torre Grenfell de Londres

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Alguns fatores causam perplexidade: transferência dos afetados foi lenta, ninguém foi detido e revestimento não foi proibido. Incêndio provocou 71 mortes na madrugada de 13 de junho de 2017. Mulheres observam faixa pendurada na Torre Grenfell, em Londres: 'Para sempre em nossos corações' Yui Mok/PA via AP A indignação e a sede de justiça se misturam à dor no primeiro aniversário do incêndio da Torre Grenfell, um prédio de apartamentos sociais em Londres, que foi o mais grave no país desde a Segunda Guerra Mundial. Em um bairro da zona oeste da capital britânica ainda traumatizado pelo desastre que provocou 71 mortes na madrugada de 13 a 14 de junho de 2017, muitos expressam a frustração com os políticos e os bombeiros.
"Não entendo por quê, como país, não armamos um escândalo, por quê não afirmamos ao governo o que deve mudar já", disse Tasha Brade, uma vizinha e integrante da campanha Justice4Grenfell ("Justiça para Grenfell"), que apoia os sobreviventes e as famílias das vítimas. Fogo na Grenfell Tower, no oeste de Londres, comprometeu a estrutura do imóvel Adrian Dennis / AFP As autoridades não explicaram porque até hoje ninguém foi detido como resultado da investigação ou porque não foi proibido o revestimento exterior que contribuiu para a rápida propagação das chamas. Além disso, as vítimas não entendem o que levou os bombeiros que chegaram ao local para combater o incêndio a solicitar que os moradores da Torre não deixassem os seus apartamentos, uma ordem que não foi retirada por duas horas. A transferência lenta dos afetados também causa perplexidade, porque 43 das 203 famílias afetadas permanecem em hotéis. Grenfell Tower Arte/G1 "As vítimas não receberam o que precisavam", afirma Vassiliki Stavrou-Lorraine, que mora há 34 anos em um prédio diante do local em que ficava a Torre Grenfell. "As pessoas sofrem depressão e estresse pós-traumático", disse. 'Abandonados à morte' O incêndio começou na cozinha de um apartamento do arranha-céus de 24 andares e se propagou com grande rapidez. Além das 71 mortes, uma mulher grávida perdeu o bebê, um aborto atribuído à tragédia. Incêndio no edifício Grenfell, em Londres, no ano passado: revestimento derivado de plástico teria contribuído para que o fogo se espalhasse rápido Reprodução O edifício havia sido construído em 1974 e passou por uma reforma entre 2014 e 2016, quando recebeu o revestimento que muitos interpretaram como uma tentativa de esconder um prédio feio no bairro de Kensington e Chelsea. O material do revestimento nunca havia passado por testes de combate ao incêndio e não respeitavas as normas de segurança, de acordo com o relatório da perícia. "O fato é que nossos parentes são recordados agora porque foram abandonados à morte", escreveu no jornal "The Guardian" Karim Mussilhy, que perdeu o tio na tragédia. Kerry O'Hara, sobrevivente, declarou à AFP: "Fico feliz por não ter seguido aquela ordem de permanecer no apartamento e odeio pensar no que teria acontecido se tivesse ficado". May pede desculpas A primeira-ministra Theresa May foi muito criticada, depois de visitar o local da tragédia e evitar o contato com as vítimas. Na segunda-feira, ela pediu desculpas por ter se reunido apenas com as equipes de resgate na polêmica primeira visita a Grenfell, quando fumaça ainda saía do edifício. Ela também é criticada por não ter proibido o revestimento usado na Torre. O clube de boxe que ficava no térreo do prédio, que formou dois campeões do mundo - George Groves e James DeGale -, foi totalmente destruído e transferido para um local próximo. Um dos treinadores, Moutaz Chellat, perdeu cinco parentes na tragédia - o tio, a tia e os três filhos do casal. "Os meninos são muito resistentes e se recuperam rapidamente, mas os adultos se apegam e não administramos muito bem este tipo de situação", declarou à AFP Joe Sweeney, que trabalha há três anos no clube.
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