Quarta, 20 Junho 2018 12:41

Brasileiros que assediaram mulher podem responder por crime na Rússia

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Foto/Vídeo: Reprodução

A repercussão negativa e a indignação geradas com o vídeo em que homens brasileiros assediaram uma mulher estrangeira no meio da rua, levaram a jurista russa Alyona Popova a denunciar o grupo formalmente. Ela produziu uma petição contra os atos machistas por violência e humilhação pública à honra e à dignidade de outra pessoa.

O documento foi protocolado e o Ministério de Assuntos Interiores da Rússia deve começar a investigar o caso, inclusive com base no que foi publicado pela imprensa local e internacional. Alyona também criou um abaixo-assinado para pressionar as autoridades a tomarem alguma decisão sobre o caso

De acordo com Alyona, que é ativista feminista e uma das maiores referências no país em defesa dos direitos das mulheres, as punições para o caso, no país, podem variar de multa a restrições. Ela afirmou ainda, na representação oficial, que os torcedores brasileiros deveriam pedir desculpas à mulher ofendida.

O vídeo foi publicado na noite de sábado (16/6). Nas imagens, os homens aproximaram-se de uma jovem, aparentemente russa, e fizeram uma gravação com ela. Nas redes sociais, o ato foi apontado como uma demonstração de machismo e racismo.

Entre outros impropérios, o grupo cantou “essa buceta é bem rosinha”, referindo-se à cor da mulher. A moça, que obviamente não entende uma única palavra em português, cantou junto com eles, sem ter noção do desrespeito. A objetificação pela qual a estrangeira passa – uma pessoa é reduzida aos órgãos genitais – foi considerada ofensiva pelos internautas.

Além do machismo alarmante, tendo em vista que um grupo de adultos achou por bem fazer comentários grotescos sobre o corpo de uma desconhecida na rua, há indícios de racismo no episódio. Ao exaltar a cor da mulher, deduz-se que outros tons de pele são inferiores.

Três torcedores foram identificados no vídeo. O primeiro foi o ex-secretário de Turismo do município de Ipojuca (PE) Diego Valença Jatobá. Ele já passou por um processo público em que teve que responder ao Tribunal de Contas do estado, que o julgou por descumprir a Lei de Licitações (Lei Federal nº 8.666/93).

O segundo homem identificado foi Eduardo Nunes, tenente da Polícia Militar em Lages, Santa Catarina. Em nota, a PM catarinense disse que “não corrobora com esse tipo de atitude, que é incompatível com a profissão e o decoro da classe”. Além disso, vão abrir um processo administrativo-disciplinar para apurar a conduta do militar assim que ele retornar de viagem.

O terceiro torcedor é o engenheiro civil Luciano Gil Mendes Coelho, que aparece de camisa preta, à direita da imagem. Ele estaria envolvido em esquemas de desvio de dinheiro público na cidade de Araripina (PE) e foi preso na Operação Paradise, da Polícia Federal, em maio de 2015.

Coelho trabalha na empresa LG Jaicós Engenharia LTDA e é réu em ação de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI). O engenheiro teria superfaturado a obra de quatro quiosques na cidade de Simões (PI), tendo vencido o certame de licitações com uma oferta de R$ 96.141,83.

Metrópoles

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