Quarta, 08 Agosto 2018 13:44

Quase 70 anos depois, filhos de militar americano morto na Guerra da Coreia recebem relíquia do pai

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Placa de identificação do sargento Charles McDaniel estava em uma das 55 caixas com restos mortais de militares dos Estados Unidos que a Coreia do Norte entregou a autoridades americanas em 27 de julho. Família do militar americano agora guarda sua placa de identificação junto de outras medalhas AP Photo/J. Scott Applewhite Quase 70 anos depois de um médico do Exército americano morrer em combate na Guerra da Coreia, sua placa de identificação foi devolvida aos seus filhos. A placa estava em uma das 55 caixas com restos mortais de militares dos Estados Unidos que a Coreia do Norte entregou a autoridades americanas em 27 de julho a pedido do presidente americano, Donald Trump.
O sargento Charles McDaniel foi morto em 1950. Seus dois filhos, Charles, de 71 anos, e Larry, de 70, receberam de volta sua placa na última quarta-feira. O objeto foi o único item das caixas que pôde ser associado a um soldado específico até agora. O Pentágono busca identificar de quem seriam os outros. A repatriação desse material foi acordada entre Trump e o líder norte-coreano Kim Jong-un em uma cúpula em Singapura. O vice-presidente americano, Mike Pence, foi a Pearl Harbor, no Havaí, receber as 55 caixas no início do mês. 'Esse é o meu pai' A placa traz a idade e histórico de McDaniel, tem dois furos e lhe falta um pedaço na parte inferior. Ela foi achada em um campo de batalha próximo de Unsan, na Coreia do Norte, onde o militar morreu em combate. Ao receber o objeto em mãos, Charles McDaniel Jr. disse: "Esse é o meu pai". Larry (esq.) e Charles (ao centro) dizem ter sido tomados por muitas emoções ao receber a placa do pai AP Photo/J. Scott Applewhite "De repente, o Exército entrou em contato com a gente e disse: 'Achamos uma placa de identificação, é do seu pai'", afirmou. "Foi um misto de emoções, porque não esperávamos por isso." Mas os restos mortais da caixa onde a placa estava podem não ser do sargento McDaniel. O laboratório do Departamento de Defesa do governo americano no Havaí ainda está analisando o DNA extraído dos ossos que estavam junto com ela. Especialistas dizem que isso pode levar meses. Autoridades dizem que os ossos estão em um estado ruim de preservação, segundo o site Military Times. "Não sabemos se os restos mortais são do meu pai, mas temos ao menos a placa dele", disse Charles McDaniel Jr. Quem foi o sargento McDaniel? O militar americano era filho de um fazendeiro do Estado de Indiana. Ele serviu na Europa por um ano durante a Segunda Guerra Mundial, contou sua família. Quando foi enviado à Coreia em agosto de 1950, seus filhos tinham 3 e 2 anos de idade. "Eu era só um menino e quase não tenho lembranças do meu pai", disse Charles. Seu batalhão e as forças sul-coreanas foram derrotados por militares chineses em outubro, próximo a Unsan, a 96km ao norte da capital norte-coreana, Pyongyang. Ao receber a ligação sobre a placa, o filho do sargento contou ter sido tomado por emoções "muito profundas". "Fiquei ali sentado chorando por algum tempo." Por dois dias, 755 familiares de militares americanos estiveram em Arlington, no Estado da Virgínia, em busca de respostas sobre o que aconteceu com seus entes queridos. Segundo o governo americano, o paradeiro de mais de 7,8 mil americanos que participaram da Guerra da Coreia é desconhecido. Destes, cerca de 5,3 mil morreram na Coreia do Norte. Para a família do sargento McDaniel, a placa deu a eles um item concreto do legado do militar. "Somos muito gratos por isso", disse Charles.
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