Quinta, 09 Agosto 2018 09:24

EUA e ONU pedem investigação após bombardeio contra ônibus que matou crianças no Iêmen

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Dezenas de pessoas morreram no ataque da coalizão, que é liderada pela Arábia Saudita. Criança ferida em ataque contra ônibus segue internada nesta sexta-feira (10), em Saada, no Iêmen AFP Os Estados Unidos e a Organização das Nações Unidas (ONU) pediram nesta sexta-feira (10) uma investigação "rápida" e "independente" para o bombardeio da coalizão árabe que deixou dezenas de mortos e feridos na província de Saada, no noroeste do Iêmen. O ônibus atingido no ataque transportava crianças. A província de Saada é um reduto de rebeldes houthis do Iêmen e fica na fronteira com a Arábia Saudita. O Ministério da Saúde, que é controlado pelos houthis, afirmou que 50 morreram e 77 ficaram feridas.
O Hospital da Cruz Vermelha afirmou, segundo a CNN, que recebeu 29 corpos, principalmente de menores de 15 anos. Entre os 40 feridos que o hospital atendeu, 30 eram crianças. Iemenitas preparam nesta sexta-feira (10) covas para enterrar as vítimas do ataque da coalizão contra um ônibus que transportava crianças em Saana AFP A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que intervém desde 2015 contra os rebeldes, reconheceu ter lançado um bombardeio nessa área, mas garantiu que a ação foi legítima pois visava um ônibus em que viajavam "combatentes huthis". Investigação A porta-voz do Departamento de Estado americano, Heather Nauert, assegurou que os Estados Unidos, que são aliados sauditas, estão "preocupados" com os informes sobre o ataque que causou a morte de civis. "Pedimos à coalizão liderada pela Arábia Saudita que faça uma investigação exaustiva e transparente sobre o incidente", declarou. Já o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu "uma investigação rápida e independente". Bombardeio no Iêmen deixa mortos e feridos Claudia Ferreira / G1 Entenda o conflito O Iêmen vive uma guerra civil que já deixou ao menos 10 mil mortos desde março de 2015 - quando começou a intervenção da coalização - e deflagrou a "pior crise humanitária do mundo", segundo a ONU. De um lado da guerra estão os houthis, rebeldes xiitas apoiados pelo Irã. Do outro lado, a Arábia Saudita lidera uma aliança árabe para conter o avanço dos houthis, e conta com o apoio dos Estados Unidos. Há também outros atores envolvidos no conflito como tribos sunitas, a Al-Qaeda e até o grupo extremista Estado Islâmico. A tensão começou a se acirrar na Primavera Árabe, em 2011, quando os houthis participaram de protestos contra o então presidente e se aproveitaram de um vácuo no poder para expandir seu controle territorial em algumas regiões do país. Crianças feridas em ataque desta quinta-feira (9) em Saada, no Iêmen, são atendidas em hospital Naif Rahma/Reuters Após anos expandindo seu controle, em setembro de 2014 os houthis conquistaram a capital, Sanaa. No início de 2015, o presidente Abd Rabbo Mansur Hadi foi forçado a fugir para outra cidade do Iêmen e depois para a Arábia Saudita. Os houthis dissolveram o Parlamento e formaram um conselho presidencial para governar. Em março de 2015, a Arábia Saudita passou a liderar uma aliança árabe para conter o avanço dos houthis. A aliança tem o apoio dos Estados Unidos e faz bombardeios aéreos constantes às áreas dominadas pelos rebeldes. Segundo a ONU e a Anistia Internacional, uma série de violações de direitos humanos vêm sendo observadas no conflito e a situação humanitária se deteriora rapidamente. Entre os abusos denunciados pelas organizações estão o bombardeio de hospitais, escolas e áreas residenciais e o recrutamento de crianças soldado.
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