Sábado, 08 Setembro 2018 21:41

Três Passos: os passos da investigação sobre adolescente grávida

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Cleber Eduardo Rossetto/Especial

Em julho deste ano, o processo sobre o desaparecimento de Cintia Luana Ribeiro Moraes, ocorrido há sete anos em Três Passos, no Noroeste, foi arquivado na Justiça. O inquérito, encaminhado em agosto de 2014, continha 933 páginas, mas não conseguiu esclarecer se a adolescente foi vítima de crime. Ao longo dos anos, a polícia recebeu inúmeras denúncias sobre o caso. Parte delas apontava para o agricultor que a garota dizia ser o pai da bebê que esperava, outras indicavam que estaria viva. Os investigadores ouviram pessoas que afirmavam ter visto a garota na Argentina e chegaram a viajar ao país vizinho.

A única pista que a polícia tinha no início era o encontro marcado por Luana com o pai da bebê. Casado, o agricultor, que tinha familiares no Paraguai, havia oferecido, no início da gravidez, dinheiro para que abortasse. No primeiro depoimento o rapaz negou ter estado com ela. Quatro dias depois, ao saber que a investigação tinha conseguido a quebra do sigilo telefônico de Luana, mudou a versão. Disse que entregou R$ 10 mil para que ela tivesse a filha em outra cidade porque não queria que sua mulher soubesse da be­bê.

A mãe da adolescente, Ivone Ribeiro, tinha recebido mensagens após o desaparecimento nas quais a filha dizia ter saído em viagem com o agricultor. Ele alegou à polícia que ficou com o chip do celular dela para evitar que ela importunasse sua família. Acabou confessando que ele mesmo enviou as mensagens. Disse que pretendia tranquilizar a mãe de Luana. O homem contou ainda que se comprometeu a en­viar R$ 2 mil mensais até a criança completar um ano. Mas não soube informar qual o paradeiro dela. Garantia que às 19h30min havia deixado Luana perto da rodoviária.

O rapaz chegou a ser submetido ao detector de mentiras. Em janeiro de 2012, o laudo apontou que o encontro que o entrevistado dizia ter tido com Luana "não aconteceu da forma narrada por ele". A família da adolescente não acredita na versão de que a jovem tenha recebido o dinheiro e fugido.

— Ela viria correndo para casa. Não tinha motivo para ir embora. O sentimento é de injustiça — diz a irmã Loreni de Moraes.

Buscas na Argentina

A investigação passou por três delegados. Desde o início, a polícia recebia diferentes versões para o sumiço, recorda Willian Garcez, que apurou o caso por três meses. Em um parque de diversões, instalado no acesso à cidade, duas pessoas diziam ter visto Luana no dia seguinte ao sumiço. Outras negavam que fosse ela. A proximidade com a fronteira levou a polícia a suspeitar que a garota poderia ter fugido para o país vizinho. Para chegar até El Soberbio, no lado argentino, seria preciso percorrer 40 quilômetros de estrada e depois cruzar o Rio Uruguai de balsa ou em barco clandestino.

Três meses depois do desaparecimento, quando a delegada Caroline Bamberg Machado assumiu a investiga­ção, após a licença-maternidade, a polícia seguia recebendo muitas informações sobre o que poderia ter ocorrido com a garota. Até cartas, com informações anônimas, chegavam à delegacia. Outros possíveis suspeitos foram investigados, entre eles um comerciante com quem a adolescente também teria mantido relacionamento. A polícia apreendeu veículos e periciou casas. Nada foi achado.

Em junho de 2012, outra possível pista levou a delegada a viajar até Colonia Aurora e El Soberbio. Acompanhada de três policiais, buscou por um argentino que já havia relatado a brigadianos ter passado uma noite com uma brasileira que poderia ser a jovem. Ele contou que esteve com uma Luana, de 14 ou 15 anos, em um baile no interior em 26 de dezembro de 2011. O rapaz reconheceu a garota pela foto, mas disse que ela era loira e não teria falado sobre ter uma criança. Contou que ela disse ter fugido por desentendimentos com a família e estaria morando em Vila Faina, na fronteira com o Brasil.

Os policiais seguiram até a localidade, onde falaram com moradores. A jovem descrita pelo rapaz não foi encontrada. Quando retornavam, de balsa, os policiais ouviram outro argentino, que jurava que a moça mantinha um caso com um político de El Soberbio. Nada foi confirmado. Por três anos, a polícia fez diligências em cidades onde havia informações de que a jovem poderia estar.

Sem indiciamentos

A delegada Caroline acabou por concluir o inquérito sem indiciamentos. Para a policial, não havia elementos para comprovar que Luana foi vítima de crime.  Sobre o pai da bebê, a delegada entende que, apesar de terem recebido denúncias de que ele estaria envolvido no desaparecimento, não foi possível provar isso ao longo do inquérito.

— Não encontramos corpo, fizemos pe­rícias com luminol na casa e nos carros de suspeitos, não encontramos nada. Fizemos incontáveis diligências. Não ha­via testemunhas. Só o fato de ela ter ido se encontrar com alguém e não ter voltado — afirma.

Até hoje a delegada convive com a dúvida sobre o que aconteceu com a adolescente. Questionada se acredita que ela esteja viva, prefere não sentenciar nada.

— É muito difícil dizer algo. Ficou essa incógnita, infelizmente — afirma.

Em junho de 2015, Marion Volino assumiu a delegacia, e naquele ano, mesmo com o inquérito concluído, ouviu nova testemunha que afirmava ter visto Luana na Argentina. As informações foram repassadas à polícia estrangeira para que fizesse buscas. Outra vez, sem sucesso.

— A gente só reabre a investigação se surgir algo de concreto — diz o delegado.

Gaúcha ZH

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