Terça, 18 Setembro 2018 12:45

Coca-Cola está de olho em mercado de bebidas com infusão de maconha

Coca-Cola já está diversificando, uma vez que o consumo do refrigerante continua em declínio. Foto: Reuters

A Coca-Cola está interessada na indústria de bebidas em infusão com CBD (canabidiol) – ingrediente não-psicoativo da maconha que trata a dor, mas não dá "barato". A fabricante de refrigerantes com sede em Atlanta está em negociações com a produtora de maconha canadense Aurora Cannabis Inc. para desenvolver as bebidas, de acordo com um relatório da BNN Bloomberg Television.

“Estamos acompanhando atentamente a expansão da CBD não-psicoativa como ingrediente em bebidas funcionais para o bem-estar, em todo o mundo", disse Kent Landers, porta-voz da Coca-Cola, em comunicado enviado por e-mail à Bloomberg News. "O espaço está evoluindo rapidamente, nenhuma decisão foi tomada até agora." Landers se recusou a comentar sobre Aurora.

As ações da Tilray Inc., Cronos Group e Canopy Growth subiram no pré-mercado de segunda-feira em resposta ao interesse da Coca-Cola. A Tilray saltou 6,8%, somando seu ganho de 40% na semana passada; a Cronos teve alta de 3,1% e as ações da Canopy nos EUA subiram 2,9%.

A possível incursão da Coca-Cola no setor de maconha se deve ao fato de que as fabricantes de bebidas estão tentando adicioná-la como um ingrediente de moda, enquanto seus negócios tradicionais desaceleram. No mês passado, a cerveja Corona da Constellation Brands Inc. anunciou que irá gastar US$ 3,8 bilhões para aumentar sua participação na Canopy Growth Corp., o produtor canadense de maconha com um valor que supera os C$ 13 bilhões (US$ 10 bilhões).

A Molson Coors Brewing Co. está dando início a uma joint venture com a Hydropothecary Corp, de Quebec, para desenvolver bebidas de cannabis no Canadá. A Diageo, fabricante da cerveja Guinness, está em negociações com pelo menos três produtores canadenses de maconha sobre um possível acordo, informou o BNN Bloomberg no mês passado. A marca de cervejas artesanais Lagunitas da Heineken lançou uma marca especializada em bebidas não alcoólicas com infusão de THC, o ingrediente ativo da maconha.

Indústria de refrigerantes em declínio

A Coca-Cola já está diversificando, uma vez que o consumo do refrigerante continua em declínio. A empresa, com suas marcas icônicas que variam de Coca-Cola e Sprite a Powerade, anunciou que irá adquirir a cadeia Costa Coffee por US$ 5,1 bilhões em agosto, e expandiu-se para outros produtos, incluindo suco, chá e água mineral ao longo da última década.

As discussões com a Aurora são focadas em bebidas infundidas com CBD para aliviar a inflamação, dores e cólicas, de acordo com o relatório BNN Bloomberg. O CBD, ou canabidiol, é o produto químico na planta de maconha em geral usado para fins medicinais, e não produz o efeito de euforia que vem do THC, ou do tetrahidrocanabinol. Não há garantias de qualquer acordo entre a Aurora e a Coca-Cola, segundo o relatório.

Heather MacGregor, uma porta-voz da Aurora, disse em um comunicado enviado por e-mail que o produtor de cannabis manifestou interesse específico na área de bebidas em infusão, e pretende entrar nesse mercado, informou David George-Cosh da BNN Bloomberg.

Embora a maconha permaneça ilegal em nível nacional nos EUA, há uma aceitação crescente do uso de CBD da maconha para tratar sintomas que vão desde dor crônica até ansiedade e epilepsia. O primeiro tratamento médico derivado de uma planta de maconha chegará ao mercado dos EUA em breve, após as autoridades responsáveis pela regulamentação terem dado em junho a luz verde a um tratamento de epilepsia pela GW Pharmaceuticals.

A Aurora é a terceira maior empresa de maconha do Canadá, com um valor de mercado de US$ 8,7 bilhões. A companhia sediada em Edmonton, Alberta, registrou acentuada alta junto de outras ações produtoras de maconha no Canadá no momento em que o país se prepara para se tornar o primeiro do G7 a legalizar a maconha em 17 de outubro. O BI Canadá Cannabis Competitive Peers Index mais do que duplicou nos últimos 12 meses, embora tenha caído 24% em 2018, pois as ações estão supervalorizadas./Tradução de Claudia Bozzo

Estadão

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