Quarta, 09 Janeiro 2019 08:18

Universidade expulsa estudante que publicou vídeo racista durante as eleições

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Pedro Baleotti foi indiciado por racismo e demitido do escritório no qual trabalhava após aparecer em vídeo dizendo que 'negraiada vai morrer'. Jovem pediu perdão pelo “áudio infeliz”. Vídeo em que o estudante Pedro Baleotii aparece dizendo que a "negraiada vai morrer" Reprodução/TV Globo A Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo expulsou o estudante de direito Pedro Baleotti, de 25 anos, segundo confirmou ao G1 a assessoria de imprensa da instituição. O jovem apareceu em vídeo durante as eleições de 2018 dizendo que a “negraiada vai morrer”. "Os trâmites institucionais foram cumpridos e o aluno foi expulso, receberá todos os documentos quanto aos créditos cumpridos.
A instituição não coaduna com atitudes preconceituosas, discriminatórias e que não respeitam os direitos humanos", afirmou o Mackenzie por meio de nota. Após a decisão de expulsão, a defesa do estudante afirmou que a situação "está se resolvendo pelas vias ordinárias" e que os vídeos foram publicados de forma indevida e sem autorização de Baleotti, "violando direitos de sua personalidade". (Veja a íntegra no final a reportagem) Quando o caso veio à tona em outubro, a universidade já havia divulgado outra nota repudiando as “opiniões e atitudes” de Baleotti. O texto também informava sobre a suspensão preventiva do estudante e a abertura de um processo disciplinar para apurar o caso. Os alunos da instituição, no entanto, realizaram protestos à época para pressionar para que o Mackenzie tomasse medidas mais duras e expulsasse o aluno diante da gravidade das acusações. Na noite desta quarta-feira (9), o coletivo negro Afromack, que organizou os atos, comentou a expulsão pelas redes sociais e agradeceu a mobilização. “Agradecemos todos que endossaram a luta, que compareceram aos protestos e se indignaram com o racismo presente na ação do aluno. A referida decisão demonstra a seriedade e o compromisso da universidade no combate ao racismo. O que é de suma importância não somente para comunidade mackenzista, mas para toda sociedade”, diz o texto. Initial plugin text “A gente precisava que ele fosse expulso porque ele mesmo colocou no vídeo que seria capaz de matar alguém. Pela nossa segurança ele não poderia estar aqui”, afirma a estudante de jornalismo Aline Bernardes, de 22 anos. Aline é uma das integrantes do Afromack e diz que a decisão da faculdade tomada após as manifestações é a conquista mais expressiva do coletivo, que já lutava para expor outros casos como pichações racistas nos banheiros. “Foi uma vitória. Pela primeira vez a gente teve um aluno expulso por ato racista, e isso se deu muito pela postura dos alunos que pressionaram a instituição. Serve muito para as pessoas entenderem que esses atos não vão mais passar impunes. Isso não é mais aceitável”, afirma. Investigação criminal MP de SP pede abertura de inquérito para investigar racismo de universitário Ainda em outubro, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do DHPP indiciou Pedro Baleotii por crime racial. No vídeo, o estudante aparece com uma camiseta de Jair Bolsonaro (PSL) dizendo que está "indo votar ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco pra ver um vadio vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo, ó, tá vendo essa negraiada (apontando a câmera para uma moto ocupada por duas pessoas), vai morrer, vai morrer, é capitão caralho!". Um segundo vídeo também é protagonizado pelo mesmo autor onde ele aparece no interior de um apartamento manuseando uma arma de fogo, dizendo: "Capitão levanta-te, hoje o povo brasileiro precisa de você" À época, a Polícia Civil informou que o estudante responderia pelas penas incluídas no artigo 20, parágrafo 2, da Lei do Crime Racial 7.716/89: "Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza, estando sujeito a reclusão de dois a cinco anos e multa". Em depoimento à polícia, o estudante disse que o vídeo foi feito a caminho da votação, em Londrina, seu domicílio eleitoral, e que divulgou essa gravação em um grupo do whatsapp que participava, mas que teria se arrependido e apagado o conteúdo. Em entrevista à TV Globo, Baleotti afirmou que não é “racista, nem preconceituoso, muito menos violento” e pediu perdão pelo “áudio infeliz”. Ao saber do episódio, o escritório de advocacia em que o rapaz trabalhava como estagiário também anunciou a sua demissão no dia 29 de outubro. Posicionamento da defesa Veja a íntegra da nota encaminhada nesta quinta-feira (10) pelo advogado de Pedro Baleotti: "Tendo em conta a divulgação de reportagens no sentido que o Sr. Pedro B. Baleotti foi desligado da Universidade Presbiteriana Mackenzie em virtude de vídeos indevidamente divulgados durante o período eleitoral, necessário se esclarecer o seguinte: i. Conforme já informado anteriormente, ambos os vídeos foram enviados a um grupo restrito de amigos em aplicativo de troca de mensagens, sem qualquer intenção de divulgação por parte do Sr. Pedro; ii. Os vídeos foram publicados de forma indevida e sem a autorização do Sr. Pedro, violando direitos de sua personalidade; Sobre o desligamento do estudante da UPM, limitamo-nos a informar que a situação está se resolvendo pelas vias ordinárias. Att, Norman Prochet Neto"
Ler 90 vezes Última modificação em Quinta, 10 Janeiro 2019 22:18

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