Sexta, 11 Janeiro 2019 15:03

Gasolina atinge menor preço em 33 semanas no RS

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Foto: Reprodução

O preço do litro da gasolina engatou marcha a ré e atingiu o menor nível em 33 semanas no Rio Grande do Sul. Entre 30 de dezembro e 5 de janeiro, o valor médio cobrado nas bombas foi de R$ 4,482. Com o resultado, retornou ao patamar anterior à greve dos caminhoneiros. De 13 a 19 de maio, às vésperas da paralisação dos motoristas, o combustível era vendido por R$ 4,439 no Estado, apontam dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Mesmo com o recuo nos postos, o preço gaúcho ainda é o mais elevado da Região Sul e segue em nível superior à média nacional. Segundo a ANP, o valor registrado no país, entre 30 de dezembro e 5 de janeiro, caiu para R$ 4,330. Assim como no Rio Grande do Sul, a marca brasileira também é a menor em 33 semanas.

Para analistas, a redução nas bombas espelha a recente baixa no mercado internacional do preço do petróleo, calculado em dólar, que também passou a cair após as eleições presidenciais. Conforme política adotada pela Petrobras em 2017, a cotação da commodity serve de referência para a estatal fixar os valores dos combustíveis.

No Rio Grande do Sul, a redução também teve influência de uma questão tributária. No início deste mês, o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) caiu R$ 0,27, para R$ 4,55 por litro. É sobre esse valor médio, determinado após pesquisa feita pela Receita Estadual junto aos postos, que incide a cobrança do ICMS da gasolina. Ou seja, quanto menor for o preço de pauta, menor o impacto do tributo sobre o combustível.

Segundo analistas, o preço mais salgado da gasolina no Rio Grande do Sul frente a outros Estados guarda relação, em parte, com o ICMS mais elevado. A alíquota gaúcha sobre o combustível é de 30%. Em Santa Catarina, por exemplo, de 25%. Além disso, a gasolina que chega às bombas tem o acréscimo de 27% de etanol anidro, não produzido no Rio Grande do Sul. A necessidade de trazê-lo de Estados como o Paraná também encarece o preço final cobrado dos gaúchos.

Possibilidade de novos cortes nos próximos dias

Apesar desses obstáculos, a tendência para o Rio Grande do Sul, nas próximas semanas, é de que o valor nos postos tenha novos cortes, diz Dal’Aqua. O dirigente evita projetar a qual nível as eventuais reduções poderiam chegar.

Silva também avalia que o preço tende a apresentar novas reduções. O analista lembra que, após cair em 2018, o valor do petróleo no mercado internacional tem subido nas últimas semanas, mas pondera que o dólar segue “estabilizado”, com a simpatia inicial do mercado financeiro ao governo Jair Bolsonaro.

Em 2018, alta nas bombas, queda nas refinarias

Mesmo com a redução nas últimas semanas, o preço da gasolina no Rio Grande do Sul fechou 2018 com alta de 2,9% em relação a 2017. Ao final de dezembro, o valor médio nos postos gaúchos chegou a R$ 4,500, indicam dados da ANP.

No país, também houve avanço na mesma comparação. A média nacional encerrou a última semana do ano passado em R$ 4,344, aumento de 5,9% frente a 2017.

Nas refinarias, o comportamento da gasolina foi inverso. Entre janeiro – o primeiro dado mensal disponível – e dezembro de 2018, o preço do combustível na Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, passou de R$ 1,6294 para R$ 1,5598, redução de 4,3%. Divulgados pela Petrobras, os valores não incluem o peso de tributos. Além disso, a gasolina vendida nas refinarias para as distribuidoras não contempla o acréscimo de etanol anidro, que também tende a encarecer os preços finais.

Presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua afirma que o descompasso em relação às refinarias pode ser atribuído, em parte, à retomada nas margens de lucro:

A queda nas refinarias reflete a baixa global no valor do petróleo. No mercado interno, houve retomada nas margens, que estavam dilaceradas em todo o segmento. Historicamente, permaneciam em torno de 12% nos postos. Com os reajustes quase diários da Petrobras, haviam ficado abaixo de 10%. Mas os grandes ganhos foram os das distribuidoras.

Dal’Aqua diz “não ser contra” a política de preços da Petrobras, desde que existam mecanismos de proteção – como o hedge em vigor desde setembro – para conter as oscilações. Segundo o dirigente, cerca de cem postos fecharam as portas no Estado desde julho de 2017, quando a estatal mudou sua política de reajustes.

Com informações de GZH

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