Sexta, 06 Janeiro 2017 09:11

Embate entre hospitais e Estado deixa profissionais da saúde sem salários

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60 mil trabalhadores de hospitais estão com salários comprometidos. Foto: Ilustração

A crise na saúde do Rio Grande do Sul atingiu índices insuportáveis em 2016. Os hospitais filantrópicos do Estado elencaram, ao longo do ano, uma série de perdas, resultado da falta de repasses do Governo. Já a Secretaria Estadual de Saúde garante que tem encaminhado recursos e buscado soluções para minimizar os problemas do setor. Em meio a este embate, médicos e outros trabalhadores da saúde iniciam 2017 com salários atrasados, muitos sendo demitidos e a população amargando em filas de espera por falta de procedimentos.

Dívida do Estado com filantrópicos ultrapassa R$ 180 milhões

De acordo com a Federação das Santas Casas do RS, a dívida do Estado com as instituições é de R$ 180 milhões – relativos a programas que não foram pagos nos meses de março, abril, maio e outubro e novembro. Para o presidente da Federação, André Lagemann, não há perspectiva no curto prazo de um cenário diferente deste.

A crise vivida pelos hospitais filantrópicos é alarmante. Dados de uma recente pesquisa feita pela Federação apontam que 60% das instituições não tem como pagar a folha de dezembro que vencerá nesta sexta-feira (06). Além disso, 39% estão com pagamento de férias atrasadas, 27% ainda não cumpriu com o pagamento do 13º salário e 42% estão com salários de outros meses em aberto.

Estado admite calote

O Secretário de Saúde do RS, João Gabbardo dos Reis, admitiu, em dezembro, que a dívida com os hospitais filantrópicos é de R$ 130 milhões. “Todos nossos esforços de gestão estão sendo realizados para a racionalização dos recursos públicos e chegou a hora de uma discussão madura e necessária sobre a finalidade do Estado, se vamos continuar investindo em estruturas secundárias, ou priorizando a saúde, segurança e educação”, explica Gabbardo.

Segundo o titular da SES/RS, desde o início de 2016, o Governo do Estado já repassou, entre produção de serviços e incentivos estaduais, mais de R$ 1,772 bilhão aos hospitais gaúchos que atendem SUS.

SIMERS pressiona

Enquanto os hospitais filantrópicos acusam o Estado – e este alega que está falido -, os médicos ficam meses sem receber absolutamente nada. “Essa é uma situação intolerável e o Sindicato Médico do RS tem sido incansável na luta por reverter essa realidade. Batemos, no entanto, contra a parede de um Estado e de hospitais falidos”, adverte o presidente do SIMERS, Paulo de Argollo Mendes.

 

SIMERS

 

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