Variedades
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Você já parou pra pensar em quantos termos com origem racista usa no dia a dia, sem saber? Alguns já estão enraizados no nosso vocabulário, mas não é por isso que devemos prosseguir, não é?

Ao longo da história, algumas expressões e palavras foram criadas em cima de situações vividas por negros, principalmente na época escravocrata, mas que semanticamente estão ligados a um tempo de dor e subordinação do povo negro. E são utilizadas até hoje.

Por essa razão, resolvi pesquisar e listar algumas dessas expressões, com seus significados e impactos. Quem sabe conseguimos ter uma vivência mais tranquila, sem ofensas ou afetar quem quer que seja? Vale a reflexão:

“Mulata”

A palavra vem de mula, um ser híbrido originado pela reprodução de burro com égua. Correspondia ao filho do homem branco com a mulher negra. A solução é: esqueça palavras como mulato, moreno (pele) e pardo. Se refira como negro mesmo. Dentro da população negra temos diversos tons de pele e, apesar dos privilégios que existem com pessoas de tons mais claros, ninguém é mais ou menos negro.

“Denegrir”

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra denegrir é definida por “tornar negro, escurecer”. Quem sabe você substitui o termo por “difamar”?

“Lista negra”

Da mesma forma que “denegrir”. Usar “negro” para descrever algo que é ruim tem um peso muito negativo, tornando-o pejorativo.

“Mercado negro”

Outro caso parecido. O termo refere-se ao mercado paralelo, ilegal. Não negro. Ponto.

“Não sou tuas negas”

Associa a mulher negra como objeto, como um ser que deve servir outro, ou que “faz tudo”. Nem existe substituição para essa expressão. Talvez um “se vira” já dê conta do recado.

“Dia de branco”

É um termo referente ao dia de trabalho. Eu, sinceramente, desconheço povo que trabalhe mais que o negro, então, não entendo essa expressão. 

“Cabelo ruim/pixaim/duro/de bombril”

Não existe cabelo ruim. Existe cabelo afro, crespo, cacheado – e que muitas vezes é mais macio que qualquer outro.

“Serviço de preto”

Usada quando o trabalho foi mal realizado. Insinua a desqualificação do negro. Por que não dizer simplesmente que o serviço não foi bem feito?

“A coisa tá preta”

Você já ouviu alguém dizer isso quando as coisas começam a ficar ruins, certo? E novamente traz a imagem do preto ou negro como desagradável.  Dizer “a coisa tá ruim” já basta.

“Da cor do pecado”

Normalmente usada como elogio, refere-se a uma pele branca queimada do sol. É uma total objetificação do corpo negro. Não é um pecado ter a pele negra. Não é um elogio.

“Tem um pé na cozinha”

A expressão se refere à negra escravizada, que vivia para servir a família branca. 

“Inveja branca”

A ideia do branco como algo positivo é impregnada nessa expressão. A intenção é amenizar um sentimento que é ruim. “Inveja boa, do bem”. Como assim? Acho que aqui nem cabe substituição, já que sentir inveja é algo que nos consome negativamente. Troque por um elogio, que tal? 

Duda Buchmann/Donna