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Foto: Reprodução

“A vida não é sobre esperar a tempestade passar, é aprender a dançar na chuva”. Essa foi a frase escolhida pela norte-americana Nicole Halbert para descrever o momento em que suas duas filhas dançaram a tradicional valsa de casamento com o pai no último dia 14 de outubro. Só que a performance não foi realizada após as garotas serem conduzidas ao altar para encontrarem o noivo, dizerem “sim” e comemorarem a decisão na presença dos parentes e amigos, como haviam sonhado desde crianças.

Em uma emocionante publicação feita nas redes sociais dia 20 de outubro, Nicole explicou que as adolescentes Ashlee e Kaylee – de 16 e 18 anos – ainda nem pensam em se casar, mas pediram para realizar a tão esperada dança com o pai Jason Halbert antes que o perdessem na luta contra um câncer em fase terminal. Assim, a família viveria a emoção daquele momento especial, teria fotos para recordar e gravaria um vídeo para mostrar no dia em que as cerimônias reais ocorressem. “Se nós criamos memórias, por que não poderíamos ‘pré-criar’ aquele momento?”, comentou a mãe em sua página no Facebook.

Na postagem, ela contou que o marido de 51 anos foi diagnosticado com glioblastloma multiforme de grau 4, o tumor cerebral mais comum e agressivo conhecido pela medicina. Sem cura, a doença dá ao paciente uma expectativa de vida de, no máximo, 15 meses. No entanto, na primeira semana de outubro, Jason descobriu que sua situação era ainda mais grave, pois o líquido do cérebro havia se espalhado para a coluna vertebral, reduzindo seu prognóstico para 90 dias. “Como deveríamos contar isso às nossas filhas?”, questionou Nicole. “Havíamos criado duas meninas do papai e eu estava prestes a lhes partir o coração”.

E não foi possível evitar. Chorando, as meninas perceberam que o futuro seria bem diferente do que tinham imaginado. Por isso, decidiram usar as músicas que sonhavam dançar em seu casamento anos depois com um novo propósito: aproveitar os momentos que ainda tinham com o primeiro homem de suas vidas e dar a ele a chance de participar do dia mais importante para elas, mesmo que ele não estivesse mais presente. “Com voz tranquila e segurando as lágrimas, perguntaram se poderiam ter ‘a sua’ dança”, escreveu a mãe, que comentou a respeito da ideia com amigos e se surpreendeu com a resposta deles.

Rapidamente, diversas pessoas entraram em contato com a família para emprestar vestidos de noiva para as garotas, arrumar o cabelo delas, fazer maquiagem e eternizar a dança com fotos e vídeos. Além disso, um salão de eventos preparado para atender casamentos na cidade de Montgomery, no Texas, ofereceu gratuitamente suas instalações para a sessão especial. “Essas pessoas não só fizeram isso acontecer, mas fizeram tudo perfeito”.

No dia da gravação, de acordo com Nicole, até o céu colaborou ao representar perfeitamente o contraste de alegria e tristeza que sentiam: “tentávamos encontrar luz na escuridão”, escreveu a norte-americana ao lembrar que o sol brilhava no meio de nuvens escuras de tempestade enquanto pai e filhas realizavam sua performance. “Houve risos e lágrimas, mas no final, houve uma memória eterna”.

Na página criada por Nicole para pedir orações pela saúde de Jason – Pray for J –, ela também informou que o tumor original não havia crescido nas últimas semanas e que sintomas como dores de cabeça, enjoos e vômitos diminuíram. O homem ainda ganhou peso e segue utilizando um medicamento que interfere na propagação de células cancerígenas pelo corpo.

Mas enquanto aguarda mudanças em seu prognóstico, as imagens dele com as filhas vestidas de noiva atravessam o mundo aumentando a conscientização sobre o glioblastoma multiforme e levando uma mensagem de esperança para famílias que passam pela mesma situação. “Pode ter outras meninas e meninos por aí que enfrentam a perda de um pai, e talvez lutem com a perda que está por vir”, escreveu Nicole. “Talvez esta história também os incentive a ‘pré-criar’ seus momentos. Por isso, sinta-se à vontade para compartilhar”.

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Gazeta do Povo