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Amamentar, por si só, já é capaz de gerar inúmeras dúvidas e inseguranças, mas nesse momento de pandemia viral, muitos questionamentos surgem em relação à manutenção do aleitamento materno.

Primeiramente é importante ressaltar que nenhum outro alimento é tão completo (nutritiva e imunologicamente falando) para o bebê quanto o leite materno. Outro ponto muito importante é que seja ofertado ao bebê o leite materno ainda nas primeiras horas de vida do mesmo, leite este chamado de colostro. O colostro é composto de células imunologicamente ativas, anticorpos e proteínas protetoras, funcionando como uma primeira vacina, protegendo assim o bebê.

No momento em que vivemos uma pandemia viral causada pelo novo Coronavírus (Covid-19), que é considerado altamente contagioso, as mães, famílias e até a comunidade em geral fica na dúvida se o aleitamento materno deve ser mantido ou não. Diante disso é necessário observar as orientações dos profissionais de saúde e dos estudos científicos publicados.

Segundo o Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) a amamentação DEVE ser mantida em TODAS as díades mãe/bebê onde não haja casos suspeitos ou positivos para Covid-19. E foi elaborada uma nota de alerta sobre a amamentação EM MULHERES QUE ESTEJAM COM SUSPEITA OU INFECTADAS PELO VÍRUS.

Conforme publicado no periódico científico The Lancet, foi analisada a presença do vírus no líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, LEITE MATERNO e swab da orofaringe do recém-nascido em pacientes com pneumonia causada pelo COVID-19. Nessas amostras os RESULTADOS FORAM NEGATIVOS. Portanto, até o momento, não há comprovação de transmissão vertical durante a gestação e nem no período neonatal, pela amamentação.

Sendo assim, a SBP se posiciona pela MANUTENÇÃO DA AMAMENTAÇÃO em mães portadoras do COVID-19, desde que sejam seguidas algumas medidas preventivas. Segue abaixo parte da publicação:

– A amamentação poderá ser mantida em caso de infecção pelo Covid-19, desde que a mãe deseje amamentar e esteja em condições clínicas adequadas para fazê-lo;

– A mãe infectada seja orientada para observar as medidas apresentadas a seguir, com o propósito de reduzir o risco de transmissão do vírus através de gotículas respiratórias durante o contato com a criança, incluindo a amamentação:

1. Lavar as mãos por pelo menos 20 segundos antes de tocar o bebê ou antes de retirar o leite materno (extração manual ou na bomba extratora);

2. Usar máscara facial (cobrindo completamente nariz e boca) durante as mamadas e evitar falar ou tossir durante a amamentação;

3. A máscara deve ser imediatamente trocada em caso de tosse ou espirro ou a cada nova mamada;

4. Seguir rigorosamente as recomendações para limpeza das bombas de extração de leite após cada uso;

5. Deve-se considerar a possibilidade de solicitar a ajuda de alguém que esteja saudável para oferecer o leite materno em copinho, xícara ou colher ao bebê;

6. È ideal que a pessoa que vá oferecer leite ao bebê aprenda a fazer isso com a ajuda de um profissional de saúde.

Catia R. Hermes

Farmacêutica e Consultora em Amamentação