Estado
Foto: Joel Vargas / Divulgação

Aos poucos, começa a se consolidar dentro do PSDB o lançamento de uma nova candidatura do ex-governador Eduardo Leite ao Piratini. Animado pelos resultados preliminares de minuciosas pesquisas de intenção de voto, Leite está disposto a tentar um novo mandato, mesmo contrariando seu discurso histórico contra a reeleição.  

A indecisão sobre seu futuro político tem impacientado aliados e ameaça a união de partidos que hoje dão sustentação ao governo do PSDB. Todavia, Leite tem confiança de que, a partir do momento em que anunciar a candidatura, pode recompor boa parte da base de apoio.  

O ex-governador espera receber nos próximos dias o resultado final das pesquisas que encomendou e promete anunciar seu destino até o final do mês. O grupo do tucano cogita que ele possa confirmar a candidatura no próximo domingo (29), quando participará da festa de aniversário do deputado estadual Luiz Henrique Viana (PSDB), em Pelotas

Nos bastidores, Leite demonstra arrependimento pela renúncia ao governo do Estado para tentar se cacifar à disputa da Presidência da República. Ciente de que poderia estar agora inaugurando obras e exibindo conquistas, como o saneamento das finanças estaduais, ele tenta recuperar o terreno perdido. O objetivo das pesquisas que encomendou é avaliar o grau de rejeição dos gaúchos à decisão de deixar o governo. A partir de medições quantitativas e qualitativas, Leite quer saber se os eleitores reagiriam bem a uma eventual candidatura à reeleição de um político que abdicou do próprio mandato.   

Desde que deixou o governo do Estado, no final do março, o tucano vinha percorrendo o país na intenção de se consolidar como representante da terceira via. Em menos de um mês, a iniciativa fracassou e ele se viu numa encruzilhada: tentar a reeleição, disputar o Senado ou não concorrer a nada em outubro? 

Sem jamais perder do radar as negociações envolvendo Simone Tebet (MDB) e João Doria (PSDB) no cenário nacional, ele decidiu percorrer o Estado, numa suposta missão de “preservar o legado” da própria gestão. A incursão enervou aliados, em especial os pré-candidatos do MDB, Gabriel Souza, e do PSDB, o atual governador Ranolfo Vieira Júnior.  

Leite, na verdade, estava testando a própria popularidade. Circulando por feiras agropecuárias e eventos do Interior e pelo South Summit, na Capital, ele ficou entusiasmado com a receptividade. O resultado preliminar da pesquisa quantitativa, na qual aparece em primeiro lugar e com o dobro das intenções de voto do segundo colocado, consolidou a disposição de voltar ao Piratini. Os números também coincidem com pesquisas dos adversários, que internamente jamais esconderam o temor pelo retorno de Leite à disputa estadual.  

Dentro do PSDB, não há empecilhos à candidatura. Embora entenda a decepção de Ranolfo, que tem circulado por todo o Estado em agenda de pré-candidato, a cúpula tucana afirma que o governador tem compreensão de que Leite é o principal político do partido e seu ativo eleitoral mais valioso, capaz inclusive de quebrar o tabu da reeleição no Estado.  

O desgaste maior seria com o MDB. Nas costuras anteriores, quando ainda mirava o Planalto, Leite sempre demonstrou preferência pela candidatura de Gabriel em detrimento de Ranolfo. Para se credenciar como postulante do MDB ao Piratini, o ex-presidente da Assembleia Legislativa rompeu com aliados e enfrentou a velha guarda do partido, sempre confiante de que teria Leite em seu palanque. Agora com Leite no certame, ele enfrentará novo desgaste interno. 

O emedebista, porém, reconhece a força do ex-governador. Nos mais de 60 municípios que visitou na pré-campanha, a pergunta que mais recebe é se Leite vai ou não concorrer a governador de novo. O tucano não esconde que gostaria de ter Gabriel de vice nessa nova composição, mas o MDB jamais aceitaria abrir mão de uma candidatura própria, sobretudo em prol de Leite, rejeitado por quadros históricos do partido.  

Já contando com o MDB fora da aliança, Leite espera manter o apoio do PSD e do União Brasil. Cobiçados pelos demais pré-candidatos por conta dos tempos de TV – estimado em 38 segundos no PSD e 1min30s no União Brasil –, os dois partidos são entusiastas da candidatura do ex-governador, mas dão sinais públicos de insatisfação com a demora em uma definição.  

Ambos foram procurados por MDB, PSB, PP e DEM, mas caminham para um tríplice aliança, com o PSD indicando Ana Amélia Lemos para o Senado e o União Brasil contribuindo com o candidato a vice-governador. O PSD tem reunião da executiva estadual marcada para 30 de maio, e o União Brasil também pretende encaminhar sua posição até o final do mês.  

— O tempo está se esgotando e não podemos perder terreno — comenta o presidente do União Brasil, Luiz Carlos Busato, cotado para vice de Leite na chapa ao governo.

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Gaúcha ZH