Polícia
Foto: André Ávila / Agencia RBS

Sobrevivente ao ataque à escola Aquarela, em Saudades, Santa Catarina, o menino de um ano e oito meses recupera-se bem no Hospital de Chapecó. Ele ainda está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas segundo o pai, Diego Hübler, 31 anos, a informação da equipe médica é de que o pequeno não corre mais risco de morte.

Supervisor de uma empresa de calçados, Hübler disse que o filho foi atingido com ao menos cinco golpes desferidos pelo criminoso, Fabiano Kiper Mai, 18 anos. As facadas atingiram o rosto, barriga e tórax, que chegaram a afetar o pulmão do bebê.

O ataque à escola deixou cinco mortos: três bebês e duas professoras. O velório coletivo das vítimas está sendo realizado na manhã desta quarta-feira (5). Hübler decidiu participar da cerimônia, para abraçar os pais das outras crianças.

— Eu fui abraça cada pai e cada mãe no velório, pais das professoras. Precisava disso. Um filme de terror não é nada perto disso que aconteceu — resumiu, emocionado.

O ataque

Por volta das 10h de terça-feira (4), Fabiano Kipper Mai, 18 anos, invadiu a Escola Infantil Pró-Infância Aquarela e, munido de um facão, matou cinco pessoas: três crianças de menos de dois anos, uma professora e uma agente educacional. No momento do crime, estavam na instituição cerca de 20 crianças e cinco educadoras.

Fabiano chegou de bicicleta e com uma mochila nas costas. Levava consigo um facão de cerca de 80 centímetros, com o qual desferiu os golpes, e uma faca menor que não foi usada. Também carregava alguns explosivos de baixo impacto.

Segundo o delegado Jerônimo Ferreira, que é titular de Pinhalzinho mas atende a cidade de Saudades e está investigando o caso, a primeira vítima foi a professora Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos. A educadora estranhou a entrada do jovem na creche, foi falar com ele acabou atacada a golpes de facão.

Mesmo ferida, tentou correr para a sala onde estava a agente educacional Mirla Renner, de 20 anos, para avisar sobre o ataque. Nesse local, Fabiano atingiu também Mirla e as quatro crianças que estavam na sala. O delegado acredita que a tragédia poderia ter sido ainda maior se Mai chegasse um pouco mais tarde à creche.

— Logo que ele entra pelo portão principal, ele tem acesso a um espaço de convivência das crianças. Estava quase na hora do lanche da manhã e, na cena, a gente vê alguns pratinhos com a comida já servida. Se tivessem ido para o recreio, a situação teria sido muito pior pois haveria muito mais gente naquele espaço. As crianças ainda estavam em sala de aula quando ele entrou. Ele escolheu uma sala e conseguiu fazer o que fez — afirmou Ferreira, em entrevista ao Gaúcha+ na terça-feira.

GZH