Uma relação construída com carinho, confiança e convivência desde os primeiros anos de vida transformou Baiano e Gigante em muito mais do que uma dupla de bois. Aos 8 anos, os animais chamam atenção em rodeios, carreatas e desfiles ligados ao meio rural por uma habilidade especial: eles se posicionam e se cangam sozinhos, apenas seguindo os comandos de voz do responsável, Alex Mateus.
De Santa Catarina, Alex conta que os dois chegaram à família ainda pequenos e, desde aproximadamente um ano de idade, passaram a receber treinamento e conviver diariamente com adultos e crianças. Com o passar do tempo, demonstraram facilidade para memorizar ações e entender os comandos.
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“Eles vêm sozinhos e brincando. Agora, só vão no comando da voz”, conta Alex.
Segundo ele, foi durante um rodeio que a habilidade de Baiano e Gigante se cangarem sozinhos ganhou ainda mais destaque e surpreendeu quem acompanhava a apresentação.
Criados junto com as crianças
A ligação com a família também foi construída ao longo dos anos. Os filhos de Alex cresceram próximos dos bois, estabelecendo uma relação de confiança com os animais.
Até os nomes carregam características da dupla. Baiano recebeu o nome em referência à pelagem baia, enquanto Gigante foi batizado por causa do tamanho. Segundo Alex, os nomes também remetem às lembranças dos avós e à história familiar.
Durante a semana, a rotina é tranquila, com descanso e cuidados. Nos fins de semana, Baiano e Gigante costumam participar de desfiles e eventos ligados ao agronegócio e às tradições do campo.
“Nossa família é apaixonada por eles. Vão ficar conosco até o fim da vida deles. Não vamos vendê-los. São da nossa família”, afirma Alex.
Uma história viva do campo
Além da curiosidade despertada pela inteligência dos animais, Alex percebe uma reação especial entre pessoas mais velhas que assistem às apresentações.
Para quem viveu o período em que o carro de boi fazia parte da rotina das famílias rurais, rever a cena pode trazer lembranças e emoção.
“As pessoas mais de idade, que viveram na época do boi carreiro, se emocionam muito. Estamos contando a história dos nossos pais. É uma história viva”, relata.
Para a família, preservar essa tradição passa necessariamente pelo respeito aos animais. Alex reforça que Baiano e Gigante recebem cuidados e são tratados como integrantes da família.
Entre desfiles, comandos de voz e o carinho das crianças, os dois acabaram se tornando uma forma de manter viva uma tradição que atravessa gerações — uma história em que o carro de boi chama atenção, mas é a relação entre pessoas e animais que emociona quem assiste.
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