Bichos
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Três cachorros fazem sucesso em Restinga Seca, cidade de cerca de 15 mil habitantes, na Região Central do Rio Grande do Sul, desde que ficaram conhecidos por ajudar o dono, que é mecânico, no trabalho diário na oficina.

Os animais aprenderam a buscar as ferramentas que seu Ernesto pede, além de obedecer outros comandos, como ligar e desligar algum aparelho. E eles atendem em português e alemão.

“É uma lição a cada dia”, emociona-se Ernesto Schwert. “O pessoal chora quando vê”, conta.

Hoje, já são experientes. Mas tudo começou com o cão mais velho, o Bidu, que tem 12 anos e é uma mistura de Rottweiler com Golden Retriever. Quando ele era filhote, seu Ernesto ficou sem ajudante na oficina. Os três filhos dele já haviam crescido e saído de casa. Então, o animal de estimação, presente de um amigo, virou o melhor companheiro dele.

A Diana é irmã do Bidu, mas nasceu depois, de outra cria. E o Fritz é filho do Bidu com uma cachorrinha sem raça definida. Os dois aprenderam com seu Ernesto e com o cão mais velho as lições dentro da oficina.

Eles começaram aprendendo os nomes das ferramentas. Hoje, já sabem até diferenciar cores. Quando a reportagem da RBS TV estava no local, seu Ernesto pediu um cavalete. Bidu foi buscar. Quando voltou, o dono alertou: “Eu quero o outro, aquele azul”. E Bidu foi encontrar a ferramenta certa. “Muito obrigado, meu amigo ‘véio’! Tá cansado, mas já trabalhou muito, né?”

“Diana, liga o compressor!”, pediu o mecânico. A cachorrinha obedeceu e puxou uma cordinha, que ligou o equipamento. “Vai lá, desliga. Muito barulho”, disse ele, em seguida. Diana desligou. “Muito obrigado”, agradeceu seu Ernesto.

‘Milagre’

Seu Ernesto está com quase 70 anos de vida. Ele lembra bem de um susto que levou com Bidu, quando o cão ainda era filhote. Um veterinário diagnosticou um problema no coração dele, e avisou que não viveria muito tempo. Para tentar diminuir os sintomas, deveria fazer exercícios.

Dentro das atividades, ele começou a carregar objetos.

“Olha só a caixa torácica que ele criou carregando macaco e baldes de água. Na pescaria ele carrega remo. Ele não deixa eu caminhar no pomar ou no jardim com alguma ferramenta na mão, ele pega para carregar sempre. Ele é muito solícito. E ele quer agradar também! É assim que a gente aprende a viver com mais amor”, diz Ernesto.

E Bidu resistiu bem ao problema no coração. “É um milagre”, define o dono.

Filho se junta ao pai e aos cachorros

Recentemente, um dos filhos de seu Ernesto, Leandro Schwert, resolveu largar o trabalho em um banco para voltar a ajudar o pai na oficina.

“Já trabalhava com ele desde piá, com seis anos já estava aqui dentro, conhecendo chave… aí eu resolvi voltar”, conta.

Assim como fazem com Ernesto, os cachorros passaram a alcançar as ferramentas para Leandro.

“O Fritz principalmente, é o mais novo. Filtro, chave, essas coisas, quando vê está tudo em redor de mim. Ele vem me trazendo, aí tem que dar uma recompensa porque ele gosta também”, diz.

Na casa, os cães também buscam as correspondências, os baldes para regar as plantas, revistas e lenha para a lareira.

G1 RS