Tempo
Foto: Divulgação

Uma corrente de jato de incomum intensidade vai trazer ar muito quente para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e até mesmo algumas regiões do Paraná na metade da semana. A temperatura vai disparar em algumas cidades que terão marcas de verão em pleno final de abril, quando normalmente as marcas nos termômetros já são menores e os dias de forte calor mais escassos.

Na segunda-feira, parte do Rio Grande do Sul deve ter instabilidade, o que vai impedir uma maior elevação da temperatura. Mesmo assim, algumas áreas do Estado devem ter uma tarde quente para os padrões climatológicos do final de abril.

Na terça-feira, embora o sol apareça em diferentes cidades, a maior presença de nuvens e chuva em diferentes regiões devem impedir maior aquecimento. A umidade mais alta com a atmosfera aquecida, entretanto, deve proporcionar um pouco de abafamento em diversos municípios.

No Noroeste, entretanto, as máximas podem ser altas com uma tarde de calor.

QUARTA-FEIRA SERÁ O DIA MAIS QUENTE

A corrente de jato em baixos níveis da atmosfera vai se intensificar muito durante a quarta-feira. Os ventos projetados a 1.500 metros de altitude por modelos numéricos chegam a 80 nós ou 150 km/h. Trata-se uma corrente de jato em baixos níveis (JBN) atipicamente intensa, é possível dizer até violenta, muito mais forte do que comumente se costuma observar.

A intensificação enorme do jato reforçará o ingresso de ar seco e quente sobre o Rio Grande do Sul, o Centro da Argentina e o Uruguai com a diminuição da nebulosidade no território gaúcho e tempestades severas nos países do Prata. Com a menor cobertura de nuvens, a temperatura deve ter elevação muito acentuada na quarta-feira no estado.

Muitas cidades do Rio Grande do Sul vão ter máximas acima dos 30ºC na quarta-feira à tarde. Porto Alegre pode ter 32ºC a 33ºC. Na região metropolitana e nos vales, as máximas podem subir até 35ºC ou mais. São valores muito acima do que é normal para esta época do ano. A temperatura máxima média história de Porto Alegre em abril é de 26,4ºC (série 1991-2020).

Em termos leigos, a corrente de jato em baixos níveis é uma corrente de ar estreita encontrada na baixa atmosfera, normalmente em torno do nível de pressão de 850 hPa (ou cerca de 1500 metros de altitude), atuando entre um e dois quilômetros de altura. Ou seja, é um corredor de vento nas camadas baixas da atmosfera.

Tal como as principais correntes de jato, as polares e subtropicais, são “rios” na atmosfera, embora em menor escala e geralmente em velocidades mais lentas. Da mesma forma, são o resultado de gradientes (diferenças) de temperatura em altitudes mais baixas, que levam a um gradiente de pressão e um fluxo de ar perpendicular a esse gradiente. Estas correntes de jato em baixos níveis (JBN) a Leste dos Andes que trazem ar quente costumam se originar na Bolívia ou no Centro-Oeste do Brasil e apresentam, em regra, uma extensão de centenas de quilômetros do Sul da região amazônica até a bacia do Rio Praia.

No Prata, o jato costuma recurvar em direção a Leste para o Atlântico. São estes episódios de JBN que trazem vento Norte seco quente de forte intensidade às vezes para o Rio Grande do Sul, especialmente precedendo uma frente fria acompanhada de um ciclone extratropical mais profundo, sobretudo no inverno.

É quanto o vento sopra não raro com velocidades perto ou acima de 100 km/h na região de Santa Maria e nos vales, elevando a temperatura noturna para marcas ao redor ou acima de 30ºC, mesmo durante o inverno, em razão do que se denomina de aquecimento adiabático. O vento desce a encosta dos morros e superaquece por compressão, gerando alta temperatura nos vales e baixadas.

Receba as notícias do Três Passos News no seu celular:

https://chat.whatsapp.com/Fab5E1SQAqK0SxNiOmvzZU

MetSul