A radicalização política no Rio Grande do Sul chegou a tal ponto que de diferentes regiões chegam notícias de listas de boicote a estabelecimentos cujos proprietários votaram ou participaram de manifestações de apoio ao presidente Lula. Torres, Santa Maria, Caxias do Sul, Restinga Sêca, Nova Petrópolis, Venâncio Aires e Bento Gonçalves estão entre as cidades com as tais listas, que ressuscitam uma prática dos bolsonaristas registrada em 2018 e 2022.
Essa prática, difundida abertamente no Facebook e no Instagram, é de uma ignorância semelhante à das dondocas que ameaçam não participar de ações em favor de entidades beneficentes por entenderem que “os pobres querem viver de Bolsa Família”. É como se a caridade tivesse partido, em vez de ser um ato humanitário.
O Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes (Sindha), chegou a divulgar nota no Instagram, dizendo que vê “com preocupação a circulação de listas que identificam estabelecimentos para boicote com base na preferência política, real ou presumida, de seus proprietários”.
“Um restaurante, um café ou um hotel reúne trabalhadores, fornecedores, transportadores, prestadores de serviços e famílias com opiniões políticas diferentes. Se uma campanha dessas afetar as vendas de forma persistente, as consequências alcançarão pessoas que nada tiveram a ver com a manifestação que motivou a lista — inclusive quem votou no candidato defendido por seus autores”, diz a mensagem.
E completa: “O setor de hospitalidade existe para receber pessoas. Nele trabalham e convivem brasileiros de diferentes convicções. O Sindha defende o debate democrático, o respeito às divergências e a responsabilidade de quem tem alcance nas redes sociais. Por tudo isso, pedimos que essas listas não sejam compartilhadas. Continuem frequentando e valorizando os estabelecimentos dos empreendedores que tanto contribuem para o desenvolvimento social e econômico da nossa querida Porto Alegre”.
O deputado Paulo Pimenta (PT) contou que vem recebendo denúncias graves de “uma suposta ação organizada de apoiadores de Flávio Bolsonaro para perseguir trabalhadores que votaram em Lula e promover boicotes a empresas e profissionais que declararam apoio ao presidente eleito”.
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— Todos os vídeos e listas que chegarem até mim serão encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para que as denúncias sejam apuradas. A democracia não combina com perseguição política, intimidação e discurso de ódio. Essas atitudes são inaceitáveis e não podem ficar impunes — disse o deputado.
Gaúcha ZH





