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Até o início de dezembro, haviam sido confirmadas 754 mortes, atrás apenas de 2015, ano da pior epidemia já registrada no Brasil. Número de casos prováveis da doença ultrapassa 1,5 milhão.

No mesmo mês em que o Brasil confirmou seu primeiro caso de paciente com um novo tipo de coronavírus surgido na China, um velho conhecido dos brasileiros deu sinais de que vai infectar ainda mais pessoas em 2020: o vírus da dengue, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti.

O mais recente boletim epidemiológico do Ministério da Saúde com dados sobre a dengue aponta que o número de casos prováveis da doença — aqueles que são notificados à pasta pelos Estados — cresceu 19% nas cinco primeiras semanas do ano em comparação com o mesmo período de 2019.

Foram notificados 94.149 casos prováveis até a quinta semana do ano (mais precisamente de 29/12/2019 a 01/02/2020), ante 79.131 no mesmo período no ano passado.

Neste início de 2020, há a confirmação de que pelo menos 14 pessoas morreram por dengue no país no mês de janeiro. A comparação de óbitos com 2019 ainda é incerta, já que os números ainda podem mudar bastante conforme chegam os resultados de análises laboratoriais e à medida que os Estados e municípios enviam seus informes ao ministério. Os dados do boletim atual, por exemplo, ainda não computam os casos e as mortes registrados a nível local em fevereiro.

Mas o ministério já trabalha com um cenário de aumento de casos de dengue para este ano, e alguns municípios e Estados pelo país decretaram alerta para uma epidemia de dengue — que é definida quando há uma taxa de 300 casos confirmados de doença para cada 100 mil habitantes.

Hoje, o país tem em média uma incidência de 44,8 casos prováveis para cada 100 mil habitantes, valor que também é maior do que o registrado no boletim de mesmo período do ano passado (26,3 casos por 100 mil; a comparação entre boletins de diferentes anos deve ser feita com cautela, já que há muitas alterações e atualizações de números depois que eles são publicados).

A situação varia drasticamente dentro do país, e três Estados já dispararam com mais de 200 casos por 100 mil habitantes: Acre (taxa de 281,65/100 mil); Mato Grosso do Sul (249,98/100 mil) e Paraná (220,75/100 mil).

No entanto, a tendência de alta da dengue neste ano só poderá ser confirmada nos próximos meses — historicamente, o número de doentes cresce a partir de março.

No Paraná, os dados do crescimento da dengue impressionam. Em fevereiro do ano passado, o Ministério da Saúde apontou que o Estado tinha 14 doentes por 100 mil habitantes; já hoje, esse número chega a 220,7 — alta de 1.471% na incidência na comparação entre boletins dos dois períodos.

Desde agosto, quando o Estado passou a contar um novo período epidemiológico, foram confirmados quase 35 mil casos da doença. Só na última semana, foram 8,2 mil novos doentes. Ainda de acordo com o governo estadual, 14 pessoas morreram de dengue neste ano — por serem fornecidos pelo Estado, esses dados são mais atualizados do que os compilados pelo Ministério da Saúde.

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