Estado
Foto: Reprodução

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, apresentou nesta terça-feira (21) o novo modelo de distanciamento controlado que prevê a abertura dos municípios de forma regional. A proposta se baseia na relação entre o número de casos confirmados e a capacidade de cada região de atender pacientes graves. O objetivo é evitar que os hospitais tenham sobrecarga de atendimento.

As mudanças passam a valer a partir de maio.

O novo modelo deve substituir o decreto estadual que proíbe a abertura dos estabelecimentos não essenciais apenas na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde há mais casos de coronavírus. Em caso de descumprimento, as prefeituras podem ser investigadas por crime de responsabilidade.

Nas outras regiões, os prefeitos podem publicar decretos que justifiquem a necessidade de abrir o comércio e estabeleça normas de higiene, distanciamento e segurança sanitária. Na Serra, após pedido das prefeituras, o estado voltou atrás e o comércio foi reaberto.

O modelo leva em conta o registro de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), disponíveis no sistema de monitoramento da doença, assim como o estudo liderado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que vem testando a população do Rio Grande do Sul por amostragem.

Cada região terá seu próprio modelo de isolamento, de acordo com a velocidade de transmissão e a capacidade de resposta. Para isso, o governo propôs a elaboração de um diagnóstico regional, considerando as instalações de saúde e os protocolos de atendimento.

Segmentação por regiões

Serão estabelecidas quatro faixas de riscos potenciais: baixo, médio/baixo, médio e alto. Com o cálculo das variáveis, o cenário de cada região será classificado de acordo com essas faixas.

As definições dos critérios ficam a cargo das Secretarias Estaduais de Saúde e de Planejamento. São itens como:

UTI/Ventiladores disponíveis

Testes na região

Disponibilidade de informações e dados para eficientemente identificar e isolar casos

Disponibilidade de equipamentos de proteção

Nível de transmissão:

Taxa de crescimento de novos casos e de casos hospitalizados

O acompanhamento das informações será diário, para que se possa agir imediatamente.

Segmentação setorial

O governo também planeja a segmentação da economia gaúcha de acordo com o setor, conforme o risco de transmissão e a importância econômica de cada área.

O risco de transmissão será medido de acordo com a circulação de pessoas e aglomeração no ambiente de trabalho, e a natureza da atividade econômica. Serviços online, por exemplo, são considerados de baixo risco, já eventos, de alto risco.

A relevância econômica será medida pelo número de funcionários, o estímulo para o consumo, a capacidade de arrecadação, entre outros aspectos.

Leite participou, na segunda-feira (20), de uma reunião com 50 integrantes de um grupo criado para discutir as estratégias de enfrentamento ao coronavírus. Ficou definido que os participantes podem enviar, até esta quinta (23), sugestões de indicadores e protocolos, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e propostas de outros países e estados.

“Não podemos perder vidas por falta de atendimento”, disse o governador.

A primeira fase do estudo mostrou que, para cada caso confirmado de coronavírus no RS, existem cerca de quatro doentes sem notificação. Dados como esse vão basear a projeção da pandemia e pressão no sistema de saúde, conforme o plano apresentado pelo governador do Rio Grande do Sul. Efeitos sobre outros serviços públicos serão monitorados conforme matriz de risco.

“O vírus não vai embora, o vírus está entre nós, vai ter essa circulação ao longo dos próximos períodos. Nós vamos conviver com esse vírus e, portanto, precisamos do apoio da comunidade e da sociedade para evitarmos esse volume de contágio para além da nossa capacidade hospitalar”, relata Leite.

G1 RS