Educação
Foto: Caco Argemi / Cpers/ Divulgação

Após reunião na manhã desta sexta-feira (13), o Cpers anunciou a rejeição da nova proposta do governo do Estado para mudar o plano de carreira do magistério e garantiu a continuidade da greve. Conforme a entidade, não foi corrigido o principal problema identificado pela categoria, que é o fato de que os futuros reajustes serão descontados da parcela autônoma — formada por valores já destinados aos professores.

Pelos cálculos da entidade, os professores que já estão em atividade não serão impactados pelo aumento da tabela salarial de 19,8% anunciada pelo governo. Para exemplificar o entendimento da categoria, a presidente do Cpers, Helenir Schürer, usou o próprio salário: disse que os R$ 1.795 que recebe teria um acréscimo real de 3% em 2022, caso o plano do governo seja aprovado. Por isso, o sindicato classificou o número divulgado pelo governo como “fictício”.

— Se o governo não apresentar um projeto que realmente coloque dinheiro no nosso contracheque e não utilize aquele que já está dentro, não tem como fazermos concessão — disse Helenir Schurer.

A entidade também argumenta que o governo está prejudicando as carreiras da base do funcionalismo, sem contudo alterar privilégios como o pagamento de prêmio de produtividade para os fiscais aposentados da Fazenda Estadual. O Cpers também usou como exemplo a decisão do governo do Estado de pagar honorários advocatícios aos procuradores do Estado. Ambas as categorias estão no topo da remuneração do funcionalismo gaúcho.

No próximo dia 18, a greve da categoria completa um mês. Durante entrevista coletiva, a presidente do Cpers afirmou que, se o governo mantiver o corte de ponto, a categoria será orientada a não recuperar os dias parados.

Na tarde de quinta (12), o governador Eduardo Leite, pressionado por aliados, apresentou nova proposta de tabela salarial para os professores do Estado, aumentando os números inicialmente previstos. Pela proposta inicial, o valor final que um professor com doutorado poderia ganhar era de R$ 3,8 mil, em 2020. Pela nova proposta, esse valor chega a R$ 4,7 mil em 2020, e R$ 5,3 mil em 2022. A nova proposta apresentada pelo governo aumentou os salários de todos os níveis e garantiu os reajustes da tabela até 2022.

O pacote também amplia as contribuições previdenciárias dos servidores e acaba com as vantagens temporais e avanços de carreira, como triênios e quinquênios. Os valores referentes a esses benefícios, se o plano do governo for aprovado, serão transformados em uma parcela autônoma, desvinculada dos salários. O governo argumenta que, assim, poderá, no caso do magistério, pagar o piso da categoria e conceder reajustes que tenham maior impacto sobre os ativos do que sobre os inativos.

A mudança do plano de carreira do magistério é uma das oito propostas do pacote de Eduardo Leite, que o governo deseja votar na próxima semana, na Assembleia Legislativa.

GZH