Polícia
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“Oi, td bem? Tô precisando de uma ajuda sua. Fui fazer uma transferência, mas como já paguei uns boletos de manhã, fiquei sem limite. Você consegue pagar da sua conta pra mim e amanhã eu já te devolvo sem falta?”

Se algum contato já te mandou uma mensagem assim, provavelmente ele foi vítima de um golpe cada vez mais banal: o do WhatsApp clonado.

O crime começa quando o golpista pega um número de celular na internet, geralmente de sites de anúncios, e liga para a vítima relatando um falso problema no cadastro. Para corrigir, ele diz que vai enviar para a pessoa um número de protocolo, e pede que a pessoa passe para ele o código de seis dígitos que vai chegar por SMS. Mas esse código é, na verdade, os números para instalar o aplicativo em outro aparelho.

Quando o golpista tem acesso ao código, na mesma hora ele toma conta do WhatsApp da vítima e passa a pedir dinheiro aos contatos como se fosse a pessoa. Quem acredita estar ajudando um conhecido, amigo ou parente faz a transferência para a conta de um “laranja” e provavelmente nunca mais recupera o dinheiro.

‘Clonagem de WhatsApp’: especialistas orientam para não cair em novo golpe

A enfermeira obstetra Milena Fonseca, que mora em Araçoiaba da Serra, foi uma das vítimas que tiveram o WhatsApp clonado na semana passada. A mensagem veio de uma clínica que ela frequentava, que também tinha sido vítima do golpe.

“Eles falaram que era um recadastramento, e como era um estabelecimento de saúde, eu respondi que tudo bem, e perguntaram se eu tinha recebido um código. Quando eu falei bloqueou tudo”, conta. Por sorte, nenhum de seus contatos transferiu dinheiro para o golpista‘Só R$ 2.500’

Em um áudio que viralizou nas redes sociais um  criminoso tenta dar o golpe, mas o homem percebe porque já tinha recebido a mesma ligação horas antes. A quase vítima então pergunta se muita gente ainda cai na conversa que os golpistas passam. “Se eu fizer 50 ligações no dia, em umas 39 eu consigo o código”, diz o golpista, para espanto do interlocutor.

Perguntado se as pessoas chegam a transferir o dinheiro, o golpista tira onda. “Hoje eu só consegui R$ 2.500. Ontem consegui R$ 4.500. R$ 6 mil em dois dias tá bom, né? Imagina R$ 20 mil em duas semanas? É gostoso, vou falar pra você”, debocha.

Quem pratica esse golpe, além de estelionato, pode responder por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

“Esse é um golpe que faz, no mínimo, duas vítimas: quem teve o aplicativo clonado e quem recebe o pedido de empréstimo. Quem for lesado deve sempre registrar boletim de ocorrência”, explica o delegado Felipe Orosco, da Seccional de Sorocaba (SP).

Mas quem tem o WhatsApp clonado dificilmente procura a polícia, já que o transtorno de perder o acesso ao programa é resolvido depois de sete dias. E quem faz a transferência do dinheiro também evita registrar queixa, já que a chance de recuperar o prejuízo é remota.

G1