A empresa chinesa UBTech lançou no mercado um robô humanoide de aparência ultra-realista projetado para atuar como assistente emocional e diminuir o isolamento social. Batizado de U1, o androide possui pele macia, voz suave e utiliza mecanismos de inteligência artificial para aprender os hábitos do usuário e interagir de forma personalizada. A novidade foi apresentada na cidade de Shenzhen, polo tecnológico no sul da China, e tem preços que partem de 119.800 yuans, o equivalente a cerca de R$ 91 mil na cotação atual.
Robô promete atender uma demanda crescente na China e se espalhar pelo mundo
O equipamento tem como público-alvo principal a população idosa e as pessoas que moram sozinhas. A fabricante planeja atender uma demanda crescente na China, país que soma cerca de 120 milhões de solteiros e mais de 320 milhões de cidadãos acima dos 60 anos. O robô opera com autonomia de bateria de até quatro horas e consegue identificar variações de voz e comportamento que indiquem estresse ou cansaço, respondendo ao tutor com mensagens de apoio físico e psicológico.
Além do suporte emocional, o androide desempenha funções práticas de monitoramento de saúde ao lembrar horários de remédios e acompanhar rotinas diárias. O modelo comercializado possui variações física e visual de acordo com o gosto do cliente, com opções masculinas e femininas, e pode ser customizado com as feições de personalidades famosas ou parentes. Apesar do alto nível de interação e de movimentar olhos e boca, a máquina não realiza tarefas domésticas complexas, como limpar a residência, e não foi projetada para fins sexuais.
A chegada da nova tecnologia divide opiniões de analistas de segurança digital e psicólogos devido aos riscos de dependência afetiva e à exposição de dados íntimos. A UBTech informou que as informações coletadas durante o uso residencial são protegidas por criptografia, um sistema de codificação que impede o acesso de terceiros, e não alimentará outros sistemas de dados. Enquanto no Ocidente o debate ético sobre androides domésticos avança com cautela, a aceitação pública dessa tecnologia na Ásia é ampla e acelerada.
O setor de robótica integra as prioridades de desenvolvimento econômico do governo de Pequim e o país lidera a produção global de equipamentos autônomos. Estimativas do banco financeiro Morgan Stanley apontam que esse mercado deve movimentar US$ 2 bilhões neste ano em território chinês, impulsionado por incentivos estatais para a indústria local. Fundada há 14 anos, a fabricante tenta quebrar a barreira da baixa lucratividade do segmento ao levar os humanoides das linhas de montagem industriais direto para os lares dos consumidores.
Acústica FM
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