Denúncia
Foto: Jornal Província

A Região Celeiro vive um momento de crescente preocupação com o abastecimento de água, marcado por vazamentos constantes, interrupções no fornecimento, dificuldades de atendimento e incertezas quanto às soluções apresentadas pela Corsan após o processo de privatização da companhia. O cenário tem gerado forte insatisfação entre moradores, mobilizado autoridades municipais e levantado questionamentos sobre a capacidade operacional da empresa em atender a demanda regional.

De acordo com informações apuradas junto a autoridades locais e à comunidade, a privatização foi seguida por demissões em massa, resultando em uma redução significativa do quadro de funcionários. Atualmente, há relatos de que apenas um funcionário estaria responsável por atender sete municípios da Região Celeiro, entre eles Tenente Portela. A situação tem impacto direto na agilidade dos serviços, especialmente diante da frequência de problemas estruturais na rede de abastecimento.

Tenente Portela: vazamentos, gosto estranho na água e medo do futuro

Em Tenente Portela, as reclamações são recorrentes. Moradores relatam vazamentos que se arrastam por semanas ou até meses sem solução definitiva. A rede de encanação, considerada antiga, apresenta falhas constantes, provocando desperdício de grandes volumes de água.

Outro ponto que preocupa a população é a qualidade da água. Segundo relatos, o gosto estaria diferente, dificultando o consumo diário. “Não é gosto de cloro, é diferente, quase não dá para usar na cozinha”, afirma uma moradora. Diante do cenário, muitas famílias passaram a economizar água e a utilizar água da chuva para atividades como lavar carros e calçadas, temendo um agravamento da situação, especialmente em períodos de estiagem.

O atendimento da companhia também é alvo de críticas. Usuários relatam dificuldade para registrar reclamações, obter informações ou solicitar reparos, o que reforça o sentimento de descaso e abandono.

Prefeitos relatam problemas e cobram providências

O prefeito de Três Passos, Arlei Tomazzoni, afirmou que o município enfrenta diversos problemas relacionados ao abastecimento. O mais grave, segundo ele, foi o rompimento da adutora que abastece toda a cidade no ano anterior. Diante disso, a Administração Municipal criou uma agenda específica para fiscalizar o serviço prestado pela Corsan.

Em Barra do Guarita, o prefeito Valcier Balestrim informou que, até o momento, o município não enfrenta falta de água nem vazamentos significativos. No entanto, confirmou reclamações da população quanto ao aumento da tarifa e à dificuldade de comunicação com a Corsan, especialmente para abertura de chamados e obtenção de informações.

Já o prefeito de Tenente Portela, Rosemar Sala, relatou que esteve em Porto Alegre em reunião com a responsável geral da Corsan no Estado. Segundo ele, houve a garantia de que providências serão tomadas para reestabelecer os serviços. Entre as principais cobranças estão a solução dos vazamentos e a recuperação das vias públicas após intervenções. Sala afirmou ainda que está reunindo todos os dados para encaminhar ao superintendente regional.

O prefeito de Vista Gaúcha, Claudemir José Locatelli, classificou a situação como inaceitável. Ele destacou que, em conjunto com o prefeito de Três Passos, levará o tema à Assembleia da Amuceleiro, buscando uma posição firme da entidade. Locatelli criticou o que considera descaso da companhia e afirmou que, mesmo quando algum serviço é realizado, muitas vezes não há conclusão adequada, deixando os locais em condições precárias.

Estrutura insuficiente e pressão da comunidade

Há ainda relatos de que, além do número reduzido de funcionários, faltam máquinas e estrutura adequada para a execução dos serviços. Em um dos casos, foi necessário trazer equipamentos de outro município para realizar atendimentos emergenciais. A pressão da comunidade tem aumentado, mas, segundo os relatos, não há respaldo suficiente da companhia para que os problemas sejam resolvidos com eficiência.

Orientação aos consumidores

Diante do volume de reclamações, a orientação é que os consumidores formalizem suas demandas por meio dos canais oficiais da Corsan. As manifestações podem ser registradas pelo aplicativo da companhia, pela Agência Virtual no site cliente.corsan.com.br, pelo WhatsApp (51) 99704-6644 ou pelo telefone 0800 646 6444. O registro de protocolos é considerado fundamental para que as reclamações sejam oficialmente acompanhadas e apuradas.

Enquanto isso, a situação segue gerando apreensão na Região Celeiro, com a comunidade cobrando respostas mais rápidas, transparência e medidas efetivas para garantir um serviço essencial à população.

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