Dois trabalhadores foram resgatados de uma fazenda de pecuária em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, após uma fiscalização identificar condições análogas à escravidão. A operação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Polícia Federal (PF). Segundo os órgãos, os homens enfrentavam jornadas exaustivas, sem descanso semanal remunerado, sem registro em carteira e viviam em um alojamento degradante.
Os trabalhadores, um brasileiro de 44 anos e um uruguaio de 29, estavam na fazenda desde outubro de 2025 e janeiro de 2026, respectivamente. Eles dormiam em um galpão de madeira com infiltrações, fiação elétrica exposta e instalações sanitárias precárias.
Em dias de chuva, o local era invadido por água contaminada com fezes devido ao transbordamento da fossa séptica. O espaço também armazenava arreios, cordas, sacos de ração e produtos químicos, enquanto cachorros e ovelhas circulavam livremente pelos cômodos.
Durante a fiscalização, também foram encontrados alimentos impróprios para consumo, como batatas em decomposição e carne armazenada em um congelador com problemas de funcionamento. Além disso, os trabalhadores não recebiam equipamentos de proteção e precisavam comprar as próprias ferramentas.
Após o resgate, ambos foram levados em segurança para suas residências. Os auditores determinaram o pagamento de mais de R$ 23 mil em verbas rescisórias, interditaram o alojamento por risco à saúde e segurança e o MPT informou que adotará medidas para responsabilizar os proprietários da fazenda, incluindo pedidos de indenização aos trabalhadores e reparação por dano moral coletivo.
Fronteira 360 com informações MPT
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