Saúde
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Distanciamento social, uso de máscaras, lavagem de mãos e cancelamento das aulas em escolas ajudaram o Brasil a combater a pandemia de Covid-19, mas também tiveram outro efeito de saúde positivo: derrubaram a incidência de outras doenças respiratórias que levavam a população a lotar emergências hospitalares durante o inverno, mostram dados do InfoGripe, sistema estatístico da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), do Rio de Janeiro.

Os casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) gerados por influenza A e B despencaram neste ano em meio à explosão da Covid-19. As mortes causadas por influenza também reduziram no País, passando de 999 até setembro do ano passado para 219 no mesmo intervalo deste ano.

No Rio Grande do Sul, houve forte queda, porém as estatísticas estão subnotificadas porque, na rede pública, o Estado só testa pacientes para coronavírus – ainda assim, analistas que acompanham diariamente a rotina de hospitais afirmam que o fenômeno nacional se repete localmente.

No jargão médico, SRAG é um guarda-chuva que envolve infecções graves causadas por vírus respiratórios – até antes da pandemia, era causada sobretudo por influenza A e B, mas também adenovírus, parainfluenza e vírus sincicial respiratório. O quadro inclui febre, tosse ou dor de garganta, e falta de ar ou oxigenação do sangue abaixo de 95%. A partir deste ano, a Covid-19 entrou no grupo e passou a predominar entre os diagnósticos.

Segundo especialistas, a queda na prevalência de outros vírus respiratórios ocorre pelo seu menor potencial de transmissão na comparação com o Sars-CoV-2 – portanto, medidas de combate à pandemia acabaram tendo impacto ainda maior na prevenção para além da Covid-19.

As estatísticas mostram que a Covid-19 teve grande peso nas infecções respiratórias até setembro deste ano: no Brasil, o novo coronavírus foi o motivo de 82 mil dentre as 83 mil mortes registradas por SRAG e confirmadas em laboratório.

Os números estão abaixo do informado em boletins do Ministério da Saúde porque nem todas as mortes por Covid se enquadram como SRAG – se o paciente não tiver tosse ou falta de ar, por exemplo.

O Sul