Puxada pelos cortes bovinos, a carne tem subido bem acima da inflação para o consumidor. A coluna avisou lá em abril que isso ocorreria. Pela pesquisa do IBGE, o alimento ficou 7,1% mais caro em 2026 na região metropolitana de Porto Alegre. É quase o dobro da inflação geral do período, de 3,89%.
O movimento de alta é global porque caiu a oferta e subiu o consumo, principalmente pelo aumento da população. Muitos rebanhos foram reduzidos, como nos Estados Unidos e na Argentina. Além disso, problemas climáticos diminuíram as criações de gado na Austrália.
E adivinha qual corte subiu mais? Para o azar do gaúcho, foi a costela. O preço acumula elevação de 12,1% do início do ano até agora no Estado. É mais do que o triplo da inflação. Acém, lagarto (tatu) e picanha também tiveram alta forte.
— Além da exportação em crescimento, o Rio Grande do Sul depende mais de carne bovina de outros Estados. Compra 55%. E a costela é um dos cortes que o gaúcho resiste em trazer de fora. Fica ainda mais deficitário em relação aos demais — explica o coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro), da UFRGS, Júlio Barcellos.
Os substitutos do churrasco, como maminha, vazio e entrecot, estão caros também. Barcellos lembra ainda que é entressafra e houve uma pequena estiagem no outono na Fronteira Oeste e na Campanha Gaúcha.
Para aliviar o bolso
Em geral mais baratas, as carnes de aves e de porco costumam subir quando a bovina aumenta, pois há espaço. Porém, não é o que está ocorrendo e pode ser a alternativa para o consumidor aliviar o bolso. A de frango acumula queda de 11% no preço em 2026 aqui no Estado e a de porco (suína) reduziu 8,9% no período, ainda conforme a pesquisa de inflação do IBGE.
Gaúcha ZH/Geane Guerra
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