Em pouco menos de um ano, o Rio Grande do Sul, assim como o restante do país, passou a viver uma insegurança em meio a conflitos geopolíticos. Desta vez, a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã, iniciado pelo ataque coordenado contra o país persa em 28 de fevereiro, pode gerar prejuízos no setor logístico, petrolífero e alimentício na Região Norte.
Em entrevista à coluna, o economista Francisco Dal Ri afirma que Passo Fundo e Carazinho podem ser afetadas por serem um hub logístico, ou seja, dependem do transporte para a economia do município.
Além disso, Erechim, Ijuí e Santa Rosa, fortes no setor industrial, podem aumentar o custo da produção, contribuindo ainda mais para o aumento dos preços no bolso do consumidor final.Play Video
Economia mundial é “grande teia”
É quase automático pensar em petróleo quando o Irã é citado, localizado no Oriente Médio, e o fato não é à toa: o país é dono de quase 20% de toda matéria-prima exportada para a produção de gasolina e diesel.
Quando em momento de conflito, toda sua produção, exportação e importação fica estagnada. Assim, menos petróleo é ofertado para o mercado mundial, o que reflete no aumento dos preços do petróleo disponível.
— Quando um Estado entra em guerra ou em conflito, a economia daquele lugar para. E como a economia mundial hoje é uma grande teia, se a gente puxar um fiozinho lá no Oriente Médio, acaba reverberando aqui para nós. Não é que o Irã irá parar de fazer negócio conosco, é que o Irã em guerra não produz, não compra, fecha-se, independente de fazer parte de um bloco socioeconômico (o Brics) com o Brasil ou não — diz o economista.

Com a possibilidade de aumento do combustível, um efeito cascata se desenvolve. O setor logístico, predominante em Passo Fundo, começa a pagar mais no diesel para o transporte de mercadorias — e todo aumento de custo vai ser repassado para o consumidor final.
Nesse sentido, além do aumento do preço dos combustíveis, outros setores elevam os valores, explica Dal Ri:
— Hoje o agricultor está no meio do fogo cruzado. Por quê? Além do petróleo, o Irã vende adubo, a ureia. Com guerra, até o seguro da carga fica muito caro e ela não vem para cá. E aí o defensivo agrícola fica mais caro, o fertilizante fica mais caro, tudo fica mais caro, dando prejuízo para o produtor e o consumidor do alimento produzido.
Assim, produtores do norte e noroeste gaúchos, principalmente de milho, soja e carne, que são os itens mais exportados para o Irã e EUA, podem sentir um desconforto financeiro ao longo do tempo, caso o conflito persista.
— Todos esses fatores geram uma inflação nos alimentos das prateleiras, além dos que já sofrem com a sazonalidade — conclui o especialista.
Gaúcha ZH
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