Folgar dois dias por semana tem sido um desafio para os gestores na organização das escalas, mas também trouxe benefícios às equipes. Essa é a conclusão da Rede de Farmácias São João, que implementou a escala 5×2 ainda em maio, cinco meses antes da promulgação do tema no Congresso.
A empresa com sede em Passo Fundo está entre as 50 maiores varejistas do país, tem 1.250 lojas e 24 mil funcionários. Hoje, todas atuam no regime 5×2. À época da decisão, o presidente Pedro Brair disse que tratava-se de um período de teste, no intuito de ver como seria adaptação dos trabalhadores e da empresa.
Cinco meses depois, a percepção é predominantemente positiva sobre o modelo. Levantamento interno da empresa mostra que em 84,9% das lojas a operação é eficiente com a nova jornada. Os trabalhadores relatam benefícios, como a ampliação do tempo para a família, possibilidade de melhor organização da vida pessoal e maior equilíbrio entre as responsabilidades profissionais e pessoais. Play Video
A outra fatia de 15,1% das lojas, no entanto, traz relatos de dificuldades mais frequentes na administração das escalas e na cobertura das atividades.
— A experiência evidencia a necessidade de maior atenção ao planejamento e à gestão das jornadas. Um dos principais desafios está na conciliação das folgas programadas com situações não previstas, como faltas e afastamentos por atestados médicos, que exigem reorganizações frequentes das equipes para assegurar a continuidade do atendimento — relatou o diretor jurídico da rede, Fernando Lusa.
O que pode melhorar
A necessidade de ajustes cresce em períodos de maior movimento, como feriados e finais de semana, o que aumenta a demanda sobre as lideranças.
— Em algumas unidades, a necessidade de cobrir ausências ou reorganizar equipes pode ampliar o envolvimento dos gestores nas atividades operacionais, exigindo maior capacidade de planejamento para conciliar essas demandas com as responsabilidades de gestão, desenvolvimento de pessoas e acompanhamento dos resultados — exemplificou a diretora de gente e gestão, Vanessa Fontoura.
Na experiência da empresa, um ponto a avançar é no dimensionamento das equipes, organização das folgas, gestão de ausências e adoção de alternativas por mais flexibilidade operacional (desde que em conformidade com a legislação e acordos coletivos).
— A experiência com a escala 5×2 demonstra que os benefícios relacionados à qualidade de vida são relevantes, mas que a sustentabilidade do modelo depende de planejamento, acompanhamento contínuo e capacidade de adaptação da operação — pontuou Lusa.
Siga o grupo do Três Passos News no WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/C8q0abPY2732tGJDyzjGGk
A primeira etapa do fim da 6×1 passa a valer oficialmente em 15 de dezembro, com dois dias de folga por semana e redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 42 horas semanais, sem redução de salário. Em fevereiro de 2028, a jornada máxima cai definitivamente para 40 horas semanais.
Gaúcha ZH






