Economia
Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Quase metade (45%) dos supermercadistas do Rio Grande do Sul entende que será preciso repensar a abertura aos domingos após o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A sondagem foi feita pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). Dos empresários ouvidos, 15% também preveem reduzir o horário de funcionamento.

— Na região de Lajeado, por exemplo, já é difícil conseguir gente para trabalhar aos domingos, imagina com uma escala menor. O funcionamento poderá se inviabilizar em alguns locais — comenta o presidente da Agas, Lindonor Peruzzo Junior, que logo cedo nesta quinta-feira (15) já procurou a coluna para apresentar suas percepções e projetar os próximos passos.

A adaptação do consumidor também é uma incógnita. Talvez seja mais fácil no Interior, mas mais difícil em Porto Alegre. Em países com escalas reduzidas de trabalho, como na Alemanha, o comércio fecha e o consumidor se organiza, antecipando ou adiando compras.

Concorrência

Um receio compreensível dos supermercados é aumentar a concorrência já crescente com as farmácias, que têm vendido uma gama cada vez maior de produtos. O varejo farmacêutico, porém, também terá que se adaptar.

Outra preocupação: concentração maior nos setores. Grandes empresas, com mais funcionários, tendem a ter mais espaço de manobra para organizar as escalas. Os menores sofrem mais.

Shoppings

Uma ponderação também importante foi enviada à coluna pelo empresário Jonatas Santos, da rede de Livrarias Santos: como fica a exigência dos shoppings de abrir todos os dias e no horário completo de funcionamento do complexo? Em geral, isso está no contrato como exigência ao lojista para manter uma uniformidade do shopping para o cliente. Para comerciantes menores, fechar um dia não será uma hipótese factível e será essencial aumentar equipe.

Horista

A aposta dos empresários mais engajados na discussão agora será articular a “PEC do Horista“, que é o projeto do senador Rogério Marinho (PL-RN). Cria um modelo de trabalho baseado estritamente nas horas efetivamente trabalhadas, com pagamento proporcional de salário, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), férias e 13º salário. Também estabelece que o contrato individual de trabalho deve prevalecer sobre acordos coletivos. Embora o Congresso eleito seja majoritariamente de direita, os trabalhadores e seus representantes vão gritar, porque ficam mais fracos na negociação com o empregador.

Assessoria de Comunicação