Justiça
Foto: Reprodução

Uma amiga da jovem indígena kaingang, Daiane Griá Sales, encontrada morta com o corpo dilacerado, na semana passada, na Terra Indígena Guarita, no município de Redentora, gravou um depoimento em vídeo para manifestar sua indignação com o ocorrido e pedir providências.

Amiga de Daiane, Milena Jynhpó diz que tem sonhos, assim como a adolescente assassinada, e teme pela própria vida. “Diariamente vivemos um sistema machista, cruel, brutal e assassino”, diz Milena, que cobra políticas públicas para proteger a vida das mulheres indígenas.

Fala jovem Kaingang: Milena Jynhpó ✊✊✊ políticas públicas para proteger a vida das mulheres indígenas já !!!

Posted by Regina Emilio on Saturday, August 7, 2021

O vídeo foi postado pela mãe de Milena, a professora Regina Goj Tej Emilio, kaingang que vive na Terra Indígena Guarita. “Esperamos que o caso da Daiane não fique impune e que evite que outras de nós percamos nossas vidas”, disse Regina Emilio, à reportagem do site Sul21.

Regina fez questão de destacar que essa violência não é cultural. Para ela, trata-se de um ato de crueldade e isso não faz parte da cultura indígena local. “Precisamos gritar por Daiane, precisamos de ajuda. Que o culpado seja punido e que se faça valer a Lei que rege nosso país!”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (9), o pai de Milena, Joel Ribeiro de Freitas, kaingang e vereador em Redentora, fará um pronunciamento na Câmara Municipal, enfocando neste caso. Nesta semana também, mulheres kaingang devem divulgar um manifesto exigindo justiça por Daiane e por todas as vítimas de violência.

O Ministério Público Estadual anunciou que está acompanhando as investigações policiais do caso da jovem kaingang, de 14 anos.

Segundo o promotor Miguel Germano Podanoche, que atua pelo MP em Coronel Bicaco, o caso está sob sigilo “por envolver uma investigação complexa”. Por enquanto, afirmou o promotor, o MP está colaborando com a Delegacia de Polícia e aguardando que o inquérito policial seja concluído e remetido ao Ministério Público, para que se busque então a punição da pessoa ou das pessoas envolvidas no fato.

Confira a íntegra do depoimento de Milena Jynhpó, amiga de Daiane Griá Sales:

“Eu, Milena Jynhpó, kaingang da Terra Indígena Guarita, demonstro minha total indignação e revolta pela morte da parente Daiane Griá Sales, minha amiga. Assim como Daiane teve, tenho sonhos e temo pela minha vida. Até quando teremos medo e insegurança em nossos territórios. Eu peço justiça e segurança para nós, meninas e mulheres que diariamente vivemos um sistema machista, cruel, brutal e assassino. Precisamos de ajuda. Estamos cansadas de ser invisíveis. Políticas públicas para proteger a vida de mulheres indígenas já! Daiane Griá Sales, presente!”

Sul 21