Educação
Foto: Arquivo Pessoal

Luís Antônio Aguiar será o Patrono da 47ª FETRELI – Feira Três-passense do Livro -, que acontecerá de 5 a 11 de outubro, no Salão de Eventos do Colégio Ipiranga. Nesta entrevista ele fala de sua vida, início da carreira, importância da leitura e sua expectativa de vir a Três Passos.

1. Conte-nos um pouco de sua vida: lugar e data nascimento, vida acadêmica e profissional.

Nasci em 11 de fevereiro de 1955, no Rio de Janeiro, onde sempre morei. Quando eu era criança, meu pai me dava muitas revistas de histórias em quadrinhos, que foram minha primeira leitura. Depois, passei para adaptações de clássicos, aconteceram as 1001 noites na minha vida (meu pai lia pra mim, até eu aprender a ler sozinho) e fui em frente, até descobrir Monteiro Lobato, que me levou para o lugar onde eu queria morar – o Sítio do Picapau Amarelo. Eu me formei em Comunicação Social, pela PUC-RJ, fiz alguns anos de Sociologia e retornei, anos depois, para fazer o mestrado em Literatura Brasileira. Além de escrever meus livros, dou aulas de Literatura (temas como romance clássico brasileiro, terror, policial, mitologia) em cursos de qualificação de professores e bibliotecários, e pelo Brasil afora, em colégios e eventos literários. Também dou uma oficina de EXERCÍCIOS DE CRIAÇÃO LITERÁRIA, que este semestre está na 4ª edição, na Cátedra Unesco de Leitura/PUC.

2. Em que momento aconteceu o interesse pelos livros?

Não sei ao certo. Foi quase natural. Eu adorava “entrar” nas histórias, e a Literatura me dava isso. Acho que minha maior motivação para aprender a ler foi poder ler histórias.

3. Era sonho ser escritor? Como iniciou essa caminhada?

Não tinha isso na cabeça, quando era criança. Já com uns 25 anos, escrevi uma história para meu afilhado, André, como presente de aniversário. E percebi que gostava daquilo – de criar cenas, personagens, enredos. Então, fui atrás de uma editora para publicar aquela história – TRISTÃO, as aventuras de um menino da cidade grande. E assim começou.

4. De que forma a leitura de livros proporciona uma nova leitura de mundo?

A Literatura conversa com nosso íntimo e com nosso momento. Até mesmo com as outras leituras que fizemos. Daí, ela nos dá ideias bastante individuais, criativas, sobre como ver a vida e o mundo – já que cada um, na verdade, lê uma história ao seu modo. Ela acrescenta imaginação, fantasia, ao mundo. Possibilidades. A gente cresce por dentro, quando um personagem ou uma história importante “entra” lá dentro de nós. E fica…

5. O livro de papel está com os dias contados? Existe diferença na leitura de livros virtuais e de papel?

Não creio que uma coisa anule a outra. Talvez, alguns tipos de livros, como os de referência – enciclopédias, etc – sejam substituídos por meios digitais, até por razões ecológicas, para poupar a matéria prima. Mas, creio que haverá sempre o momento de “folhear” um livro, de tê-lo nas mãos. Pelo menos para alguns. No que diz respeito à entrega, à fantasia que nos envolve, não creio que haja muita diferença entre ler um livro “no papel” ou no meio digital.

6. Educação de qualidade necessariamente passa pela leitura?

Eu acredito nisso… Que a Literatura acrescenta um tanto de imaginação, de especulação, de aventura e entretenimento ao conhecimento. A Literatura nos permite “ver” as coisas de diferentes maneiras – de acordo com o ponto de vista do personagem, com o enredo da história. E conhecimento, para mim, tem esse espírito – o da multiplicidade. Somos mais capazes de lidar com o mundo na medida que diferentes perspectivas se abrem para nosso “conhecimento”.   Grande parte da ciência mais avançada parte desse simples e básico movimento de multiplicação de horizontes, de formulação de ideias e concepções inéditas.

7. De que forma a leitura pode redimensionar os valores atuais de nossos jovens?

De diferentes maneiras. Uma delas é mostrar que personagens e enredos criados em diferentes culturas, em épocas e idiomas diferentes podem nos envolver, emocionar, levar a torcer, a rir, a chorar, aqui e agora… Ou seja, a Humanidade produz Literatura. É uma de suas características. Desde milhares de anos atrás. E, passando por inúmeras civilizações, algumas já desaparecidas. Não é fantástico que isso chegue ao nosso espírito e à nossa mente, ainda hoje?  A Literatura pode nos oferecer uma compreensão mais íntima do que quer dizer fraternidade, diversidade, capacidade de convivência, etc. E esse é somente um dos aspectos. Na medida em que a imaginação entra em cena, por exemplo, a gente pode se tornar capaz de criar… mundos!

8. Qual a importância de ser o patrono da 47ª FETRELI?

Só esse número já diz a honra que eu sinto… É a 47ª edição desse evento – que coisa bacana! -, e me emociona muito ser convidado para ser seu patrono. Estou participando de um evento que homenageia a Literatura e que tem uma longa tradição. Certamente, cada edição dessas só foi possível com muita dedicação e trabalho. Isso significa dar importância central à Literatura. Quero muito conversar com essa garotada, os professores, os pais e avós, se for possível, e falar sobre Literatura na vida da gente. Estou ansioso por este momento.