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Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea, fica em Vespasiano Corrêa, no Vale do Taquari. Fot: Luciano Nagel

A misteriosa cascata subterrânea, conhecida popularmente como ”Garganta do Diabo”, fica localizada no interior do pequeno município de Vespasiano Corrêa, no Vale do Taquari, distante pouco mais de 170 quilômetros de Porto Alegre via BR-386.

É um local muito procurado por trilheiros que se aventuram em meio à mata praticando o hiking — caminhada de um dia, ou trekking, passeio mais longo, em geral com pernoites em acampamentos.

Nosso ponto de partida até a temida ”Garganta do Diabo” foi embaixo do Viaduto 13, popularmente chamado de V13, o maior viaduto ferroviário da América Latina e um dos mais altos do mundo, com 143 metros de altura e 509 de extensão.

A estrutura foi construída na década de 70 pelo Primeiro Batalhão Ferroviário do Exército Brasileiro e atualmente é um dos principais pontos turísticos do Vale do Taquari.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - o viaduto V13 - Luciano Nagel
O viaduto V13Imagem: Luciano Nagel

Quem acompanhou a reportagem do Nossa até a cascata subterrânea, foi o experiente condutor de turismo local, Vantuir Spegiorini, de 43 anos. O guia, que é natural de Vespasiano Corrêa, tem uma pousada bem aos ”pés” do V13, a Recanto Cascata V13, onde abriga turistas adeptos a esportes de aventura.

De carro, por uma estrada sinuosa de chão entre as montanhas, o trajeto até o buraco da cascata leva cerca de 10 minutos.

“Observem as árvores na beira da estrada com seus fungos (líquen) de cor rosada nos troncos. Esses fungos são indicadores de ar puro”, explicou o condutor enquanto dávamos uma parada para apreciar a paisagem e contemplar a Pedra da Tartaruga às margens do Rio Guaporé antes de chegar ao destino.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - Luciano Nagel
Pedra da TartarugaImagem: Luciano Nagel

De frente para a ‘Garganta do Diabo’

Chegando próximo ao local, ainda na estrada, uma simples placa indica o caminho para a cascata subterrânea. Para chegar até lá é preciso ingressar na mata e seguir uma trilha (nível 2) em declive de 500 metros, ao lado do riacho. Antes de atravessar a linha férrea — Ferrovia do Trigo, há uma barreira de concreto, construída artificialmente, que bloqueia o percurso do córrego, e é ali que se encontra a ”Garganta do Diabo”, uma fenda na rocha de 3 m de diâmetro e aproximadamente 8 m de profundidade.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - Luciano Nagel
Uma das entradas da ‘garganta’Imagem: Luciano Nagel

E para onde escorre toda essa água?

Essa perfuração foi criada por dezenas de trabalhadores civis, antes mesmo da construção da Ferrovia do Trigo que liga os municípios de Muçum a Guaporé, ou seja, anterior à década de 1970.https://www.instagram.com/p/CfVIC8DFh7-/embed/?cr=1&v=12

O objetivo, segundo o condutor de turismo local, Vantuir Spegiorini, ”foi desviar o percurso do riacho para que a água não passasse sobre os trilhos”. A partir desse poço, a água cristalina forma uma linda cascata onde segue seu percurso por um extenso túnel escuro de aproximadamente 200 m de comprimento e 5 m de altura.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - Luciano Nagel
Imagem: Luciano Nagel

Tudo isso, construído com a ajuda de escavadeiras e furadeiras, além de dinamites.

Caminhar na galeria subterrânea exige, além de uma boa lanterna, cuidado redobrado, pois o chão é escorregadio. A presença de morcegos e sapos é comum no local, então se você tem medo, não ingresse.

O turista também deve estar atento ao volume d’água, que pode subir a qualquer momento, dependendo das condições climáticas. No dia em que a reportagem esteve no túnel, a água alcançava apenas as canelas, devido à estiagem que afeta o Vale do Taquari.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - Luciano Nagel
A placa que indica acesso via trilhaImagem: Luciano Nagel

”Eu, como sendo da região, me surpreendi muito com as trilhas e a cachoeira subterrânea. Moro nas proximidades, no município de Encantado, há mais de 50 anos e não conhecia esse local e as histórias contadas pelo nosso condutor Vantuir. É muito gratificante descobrir as belezas da nossa terra, preservar e divulgar o turismo. Quero me aventurar mais”, disse empolgada a empresária e chef de cozinha, Glória Maria Gianesini Villa, de 56 anos, que junto com o guia, acompanhou a reportagem.

Como acessar a ‘Garganta do Diabo’

Há duas maneiras de entrar na ”Garganta do Diabo”. A primeira é fazendo rapel — atividade vertical praticada com uso de cordas e equipamentos adequados para a descida de paredões e vãos livres, até o fundo do poço.

Vale lembrar, segundo o presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amturvales), Leandro Arenhart, que é sempre importante estar acompanhado de um guia local.

”A nossa região é um destino de ecoturismo e esportes inseridos em meio a natureza, mas é preciso ter muito cuidado, e estar com profissionais qualificados, treinados e seguindo todas as normas de segurança para evitar acidentes”, disse.

Já a segunda opção é pular a barreira de concreto (cerca de 1 metro) que bloqueia o percurso do riacho e atravessar, com cuidado, os trilhos da Ferrovia do Trigo, pois os trens de cargas circulam diariamente por ali.

Garganta do Diabo, cachoeira subterrânea no interio do Rio Grande do Sul - Luciano Nagel
Vantuir e Gloria posam para foto no túnelImagem: Luciano Nagel

A partir daí, o turista terá que caminhar mais uns 200 m mata adentro em uma trilha de nível leve. Na chegada, o visitante estará do lado oposto da cascata subterrânea que segue seu curso d’água em direção ao Rio Guaporé.

O que não pode faltar na sua aventura?

  • Mochila
  • Água mineral
  • Barras de cereais, frutas
  • Um bom canivete ou faca
  • Protetor solar
  • Chapéu, boné ou viseira
  • Óculos de sol
  • Repelente
  • Um apito, em caso de emergência
  • Lanterna
  • Tênis adequado para trilha
  • Camiseta e calça confortável

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