A estiagem já se instalou em parte do Rio Grande do Sul e a tendência é de agravamento do quadro de escassez hídrica no curto prazo, segundo avaliação da MetSul Meteorologia. A precipitação abaixo a muito abaixo da média, aliada às altas temperaturas e à perda de umidade do solo, acende o alerta especialmente para regiões da Metade Sul do Estado.
De acordo com a MetSul, a irregularidade das chuvas neste verão já era esperada em razão do resfriamento do Oceano Pacífico observado desde o ano passado. O cenário tem resultado em déficit hídrico crescente, evidenciado pelo racionamento de água iniciado nesta terça-feira (3) em Bagé, na Campanha. Em janeiro, o município registrou apenas 47,1 milímetros de chuva, volume muito inferior ao normal.
A queda nos níveis das barragens levou a prefeitura a decretar racionamento preventivo. O abastecimento ocorre em sistema de revezamento, com fornecimento por 36 horas e interrupção por 12 horas, das 15h às 3h. Segundo o Departamento de Água, Arroios e Esgoto de Bagé (Daeb), os reservatórios seguem em situação preocupante, com a principal barragem operando vários metros abaixo da cota normal.
Produtores rurais relatam que a deficiência de chuva se intensificou após o dia 10 de janeiro, com impactos mais severos no extremo Sul e na Campanha. Regiões próximas à Lagoa dos Patos apresentam situação um pouco mais favorável, enquanto áreas do Centro e Oeste do Estado também demonstram preocupação.
A previsão indica agravamento da estiagem nos próximos dias. As temperaturas devem ficar ao redor ou acima dos 35ºC na maior parte do Rio Grande do Sul, com máximas próximas ou superiores a 40ºC em alguns municípios. O calor intenso, combinado à falta de chuva, acelera a evapotranspiração e a perda de umidade do solo, comprometendo o desenvolvimento das lavouras.
Apesar da passagem de uma frente fria no final da semana, os volumes de chuva previstos são baixos e mal distribuídos, com possibilidade de precipitações mais significativas apenas de forma isolada. A MetSul destaca que, mesmo com o fim da La Niña, os efeitos residuais do resfriamento do Pacífico ainda influenciam o regime de chuvas no Estado, mantendo o padrão irregular.
Um aquecimento mais consistente do Pacífico nos próximos meses pode favorecer o retorno de volumes maiores de chuva, mas, até lá, o cenário segue desfavorável, exigindo atenção redobrada de autoridades, produtores e da população quanto ao uso consciente da água.
Receba as principais notícias no seu celular:
https://chat.whatsapp.com/CmyP3litXRj9MiTwu5EkPG
Siga-nos no Facebook:
https://www.facebook.com/www.trespassosnews.com.br
Metsul Meteorologia





