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Foto: Divulgação

Falta menos de um mês para o que críticos já chamam de novo massacre no bolso dos gaúchos. No dia 13 de março, parte do governo do Rio Grande do Sul juntamente com o governador Eduardo Leite (PSD) estará em São Paulo, na Bolça de Valores B3, para realizar o leilão do Bloco 2 de rodovias — longe do Estado, longe da população e mais perto do mercado financeiro.

Na prática, o projeto significa mais pedágio, espalhado ao longo das estradas em um modelo que pode resultar em cobrança equivalente a um pedágio a cada 17 quilômetros. Para quem usa as rodovias todos os dias para trabalhar, estudar ou transportar produção, a conta é simples: vai pagar mais, muito mais. O governo fala em investimentos e melhorias, mas ignora um dado central do debate: a maioria dos gaúchos é contra esse modelo. A percepção nas ruas é de que as concessões não resolvem o problema das estradas e apenas transferem a conta para o cidadão, enquanto o Estado se afasta da responsabilidade de manter o que é público.

Enquanto o Executivo acelera o leilão, uma CPI dos pedágios está em andamento na Assembleia Legislativa para investigar os contratos de concessão rodoviária. Parlamentares querem apurar falhas nos estudos técnicos, falta de transparência e possíveis prejuízos ao interesse público. Ainda assim, o governo corre para fechar o negócio antes que questionamentos avancem. A crítica central é dura: por que insistir em um leilão bilionário enquanto os contratos estão sob investigação? Para opositores, trata-se de uma tentativa de cravar o pedágio no asfalto antes que a verdade venha à tona.

O Bloco 2 reúne rodovias fundamentais para a economia gaúcha, ligando polos industriais, agrícolas e logísticos. São estradas usadas diariamente por trabalhadores, produtores rurais, caminhoneiros, estudantes e moradores de dezenas de municípios. Com a concessão, essas vias passam para a iniciativa privada por décadas, com cobrança contínua pelo uso, baseada no modelo de pedágio eletrônico.

Na prática, o que mais preocupa é a pulverização da cobrança. Técnicos e parlamentares apontam que o modelo desenhado permite algo próximo a um pedágio a cada 17 quilômetros, criando a sensação de que o motorista paga o tempo todo — mesmo em pequenos deslocamentos. Para quem depende das rodovias para viver, o custo deixa de ser eventual e passa a ser diário.

Com o leilão marcado e a CPI em curso, o Rio Grande do Sul entra em contagem regressiva para uma decisão que pode mudar definitivamente a forma como o cidadão circula no próprio Estado. Para muitos, não se trata mais de infraestrutura, mas de escolha política: ouvir o povo ou atender o mercado.

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