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Foto: Divulgação

Uma denúncia envolvendo recursos destinados à reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024 gerou forte repercussão política e social no Estado. A deputada estadual Laura Sito protocolou representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas do Estado questionando o possível uso de até R$ 200 milhões do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) para beneficiar grandes empreendimentos turísticos de luxo na Serra Gaúcha.

Segundo a parlamentar, os recursos poderiam ser direcionados ao programa Prograntur, criado pelo governo estadual em 2025 com o objetivo de subsidiar juros de operações de crédito voltadas a projetos turísticos de grande porte. O programa exige investimento mínimo de R$ 50 milhões por empreendimento e tem como justificativa estimular a economia e fortalecer o turismo após os eventos climáticos extremos que atingiram o Estado.

Entre os empreendimentos citados na denúncia estariam resorts e hotéis de luxo como o Club Med Gramado e o Kempinski Laje de Pedra. A possibilidade de utilização de recursos ligados à reconstrução pós-enchente para subsidiar projetos voltados ao turismo de alto padrão provocou indignação e críticas de diversos setores.

Laura Sito afirmou que o dinheiro deveria priorizar famílias desabrigadas, pequenos comerciantes afetados pelas enchentes e obras estruturais de prevenção contra novos desastres climáticos. “São megaempresários se aproveitando da oportunidade de ter novos recursos para impulsionar grandes empreendimentos que estavam parados. Isso é um desvio de finalidade absurdo com o Funrigs”, declarou a deputada após visita à Serra Gaúcha.

A parlamentar também destacou que milhares de famílias atingidas pelas enchentes seguem aguardando moradia definitiva e acesso a programas de recuperação. Segundo ela, os recursos poderiam ser utilizados para reconstrução de casas, auxílio às populações vulneráveis e reforço em sistemas de contenção e proteção diante da possibilidade de novos eventos climáticos extremos, incluindo a previsão de um novo fenômeno El Niño nos próximos meses.

Em nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico negou qualquer irregularidade e informou que nenhum recurso foi liberado até o momento. Conforme o governo estadual, os projetos seguem em análise técnica e o programa busca estimular investimentos privados, geração de empregos e ampliação da capacidade turística do Estado.

O caso agora deverá ser analisado pelos órgãos de controle, enquanto o debate sobre a destinação dos recursos públicos destinados à recuperação do Rio Grande do Sul segue mobilizando parlamentares, entidades e a população gaúcha.

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