A direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) decidiu, na terça-feira (7), apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao governo do Rio Grande do Sul em 2026. A medida representa uma intervenção inédita da instância nacional sobre o diretório estadual do partido.
Com a decisão, o PT não terá candidato próprio ao Palácio Piratini — algo que ocorre pela primeira vez na história da sigla no Estado. Na prática, a definição nacional encerra a insistência do diretório gaúcho em manter a pré-candidatura de Edegar Pretto.
Em nota oficial, o partido afirmou que a estratégia eleitoral no Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura política, com foco na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O texto também destaca a importância de uma aliança com o PDT, classificado como uma força fundamental na consolidação do campo democrático no país.
Segundo a resolução, a orientação é construir uma tática eleitoral conjunta com o PDT e outros partidos desse campo político, sob a liderança de Juliana Brizola no Estado. Apesar disso, o PT ressalta que Edegar Pretto segue sendo a principal liderança partidária no Rio Grande do Sul e terá papel central na articulação política desse processo.
Veja íntegra da determinação do PT nacional
O Grupo de Trabalho Eleitoral, reunido em 7 de abril de 2026, no uso de suas atribuições políticas, resolve:
Da análise do cenário internacional e nacional: Reconhecer que o cenário político atual é marcado pela ascensão do fascismo em escala global, expressa pela ofensiva da ultradireita nos principais países do mundo democrático, bem como por manifestações concretas de violência e intervenção internacional, notadamente em regiões como a América Latina e o Oriente Médio.
Da caracterização do cenário brasileiro: Afirmar que, no Brasil, esse fenômeno se manifesta na organização de um campo político liderado pela ultradireita, de orientação fascista, que busca impor uma derrota histórica às forças democráticas, com impactos diretos na correlação de forças na América do Sul, na América Latina e no cenário internacional. E destruição do projeto de um Brasil justo, democrático e soberano. A vitória da direita fascista no Brasil ainda significa o enfraquecimento das instituições que sustentam a nossa democracia, abrindo a possibilidade de um ciclo autoritário no país.
Da centralidade da disputa nacional: Definir que a reeleição do presidente Lula constitui eixo central da tática política no próximo período, sendo fundamental para o reequilíbrio da correlação de forças no continente e para a afirmação internacional das forças democráticas no enfrentamento ao fascismo. Além da consolidação do nosso projeto de futuro: desenvolvimento industrial, tecnológico, com igualdade de oportunidades e distribuição de riquezas.
Da estratégia de construção política: Estabelecer que a derrota da ultradireita no Brasil pressupõe a construção de um amplo campo democrático, liderado por uma aliança de centro-esquerda, com capacidade de mobilização da sociedade brasileira, orientada à defesa de um projeto nacional de desenvolvimento baseado na produção e na distribuição de riquezas.
Da articulação regional e internacional: Reconhecer que a reeleição do presidente Lula terá papel estratégico nas disputas políticas na América do Sul, na América Latina e no cenário global, contribuindo para o fortalecimento das forças democráticas.
Da tática política no Rio Grande do Sul: Determinar que a tática política no Estado do Rio Grande do Sul deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis, dando consequência a análise com ações que colaborarem com essa imposição histórica. Não há nada mais importante que a reeleição do Presidente Lula.
Das alianças políticas: Reafirmar a necessidade de construção de aliança com o Partido Democrático Trabalhista (PDT), considerado força fundamental na consolidação do campo democrático brasileiro. Essa construção deverá agregar os partidos de centroesquerda que historicamente são nossos aliados.
Da orientação eleitoral: Definir a construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT, e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no Estado do Rio Grande do Sul. Entendemos que o companheiro Edegar Pretto é a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção.
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