Estado
Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Os agricultores gaúchos estão em alerta: a falta de chuva pode atrapalhar, pelo segundo ano seguido, a safra do Rio Grande do Sul. De janeiro a maio, os produtores rurais já tiveram que lidar com a estiagem. Depois, em agosto, foi a geada e o granizo que afetaram as lavouras. E agora, novamente a escassez de chuva castiga o Estado, principalmente nas regiões Norte e Noroeste.

Em entrevista ao programa Gaúcha Atualidade desta terça-feira (27), na Rádio Gaúcha, o secretário da Agricultura, Covatti Filho, mostrou preocupação com a situação. Segundo ele, já foram pelo menos R$ 500 milhões de perdas no norte e no nordeste do Estado causados por problemas com o clima apenas neste ano.

Covatti Filho diz que a falta de chuva afetou o desenvolvimento do milho e está atrasando novos plantios pela falta de umidade no solo. A crise na produção, conforme o secretário, poderá ser sentida pelo consumidor:

— Estamos muito preocupados, por exemplo, com a questão da silagem, que é um alimento para o gado bovino de leite, principalmente. Não tendo esse alimento, o produtor vai ter que buscar ração no mercado, e isso vai aumentar o custo de produção dele e, consequentemente, aumentar o custo do produto final. Estou falando com a ministra (da Agricultura) Tereza Cristina para trazer 100 mil toneladas de milho para o Rio Grande do Sul, para tentar diminuir essa curva que pode acrescer os preços e, obviamente, o consumidor final ver a consequência nas gôndolas de supermercado.

Segundo Covatti Filho, o governo do Estado está investindo na construção de 2 mil açudes como uma forma de ajudar o pequeno agricultor, que sente ainda reflexos da estiagem de 2019-2020.

— Tem relatos ainda de comunidades que desde a safra de seca do início do ano ainda não têm água. Então, estamos perfurando poços nessas comunidades. É um olhar um pouco mais voltado ao pequeno agricultor e a essas comunidades — disse.

Ainda conforme o secretário, a colocação de pivôs de irrigação, que seria uma solução para períodos de estiagem, não atrai o agricultor devido à burocracia e à falta de retorno financeiro a curto prazo — leva cerca de dois anos para a instalação do sistema, e os juros de linhas de crédito são altos.

— Estamos cada vez mais estimulando para que haja ações e demandas para diminuir esse tempo (de dois anos), mas hoje em dia é um tempo muito demorado, e o produtor não se sente atraído a fazer esse investimento. Os produtores têm sempre a expectativa de que “esse ano foi ruim, mas a expectativa para o ano que vem é que se regularize”, então não vê esse investimento como muito atrativo. A gente tem que estimular, isso vem mais da parte burocrática do que de incentivo financeiro do poder público. 

Segundo levantamento da Emater, apenas 2% dos 6 milhões de hectares de plantio de soja — principal cultura do Estado — são irrigados no RS.

GZH