O registro de um tornado no interior de Pedro Osório, no Sul do Rio Grande do Sul, na quinta-feira (6), marcou a segunda semana consecutiva com a ocorrência do fenômeno no estado. O evento extremo, gerado durante a passagem de uma frente fria associada a um ciclone extratropical, reacendeu o debate sobre a vulnerabilidade do território gaúcho a tempestades severas.
Antes de Pedro Osório, municípios do Noroeste gaúcho já haviam sido atingidos por um tornado em 28 de julho. Desta vez, a instabilidade que acompanhou o fenômeno provocou rajadas de vento de até 120,4 km/h em Porto Alegre, destelhamentos e quedas de árvores. Em Montenegro, na Região Metropolitana, um motociclista de 33 anos morreu atingido por uma árvore na RS-124.
A repetição de tornados em um curto intervalo tem explicação geográfica. O Rio Grande do Sul integra o chamado corredor de tornados da América do Sul. A região é considerada a segunda mais favorável do planeta para a formação desses fenômenos, atrás apenas da área central dos Estados Unidos.
Nessa faixa do continente, ocorre o choque frequente entre o ar quente e úmido vindo da Amazônia e as massas de ar frio que avançam do sul. Quando os ventos mudam de direção e velocidade conforme a altitude, a tempestade começa a girar, formando a coluna de ar em rotação que liga a nuvem ao solo.
O que é um tornado
🌪️ Os tornados são fenômenos atmosféricos menores, mas muito intensos. Eles surgem geralmente de tempestades severas em áreas com grandes variações de vento. A meteorologia consegue identificar quando há condições favoráveis para tempestades severas, mas ainda não é possível indicar com precisão o ponto em que um tornado vai se formar ou tocar o solo.
⛈️ Já uma supercélula é uma tempestade que apresenta uma corrente de ar em rotação no interior da nuvem. Esse tipo de formação pode gerar chuva forte, granizo, ventania e tornados.
🌀 O ciclone, por sua vez, é um sistema muito maior, formado por uma área de baixa pressão atmosférica. Ele pode contribuir para a formação de tempestades severas, mas não é um tornado gigante. Enquanto um ciclone pode ter centenas ou até mais de mil quilômetros de extensão, um tornado costuma ter algumas dezenas ou centenas de metros de largura quando toca o solo.
- 💥Escala: o tornado é menor e costuma atingir uma faixa estreita. Já uma tempestade ou um ciclone pode se espalhar por centenas de quilômetros.
- ⏱️ Duração: os tornados geralmente permanecem no solo por poucos minutos. Uma tempestade pode durar horas, enquanto um ciclone pode atuar por vários dias.
- 💨 Intensidade: apesar de pequeno, o tornado concentra ventos muito fortes em uma área limitada. Por isso, pode destruir uma casa e deixar outra, localizada a pouca distância, praticamente intacta.
O que pode potencializar a formação do fenômeno
Além da posição geográfica, o aquecimento global e fenômenos climáticos potencializam os riscos. O meteorologista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maurício Ilha de Oliveira, aponta que um ambiente mais aquecido fornece os ingredientes ideais para tempestades severas.
O fenômeno El Niño também tem influência. O meteorologista da Climatempo, César Soares, acrescenta que as temperaturas mais altas do El Niño tornam os temporais mais frequentes no Sul, favorecendo a formação de tornados.
- 🔥 O El Niño é um fenômeno climático natural que ocorre em intervalos irregulares, geralmente a cada 2 a 7 anos. Ele é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5ºC das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e a distribuição de calor e umidade ao redor do globo, impactando os padrões de clima em diversas partes do mundo.
A história climática gaúcha confirma a tendência. O Atlas Digital de Desastres aponta que, desde 1991, o Rio Grande do Sul registrou ao menos 31 desastres associados a tornados. Os eventos atingiram diretamente mais de 7,6 mil pessoas e causaram cerca de R$ 68 milhões em prejuízos materiais.
G1 RS
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