Uma das doenças respiratórias mais comuns — e também perigosas — do inverno é a pneumonia. A infecção, que atinge os pulmões, pode evoluir para quadros graves, especialmente entre idosos, crianças pequenas e pessoas mais vulneráveis.
No frio, vírus e bactérias acabam circulando mais, sendo favorecidos pela maior permanência em ambientes fechados. O que também acaba contribuindo para o aumento dos casos de pneumonia e, consequente, internação pela doença.
Conforme dados do DataSUS, o mês de julho, por exemplo, costuma liderar as internações pela doença no Estado. Por isso, GZH apresenta, abaixo, um guia com as principais informações sobre a pneumomia.
O que é pneumonia?
A pneumonia é uma condição que atinge as vias aéreas inferiores, principalmente os pulmões, e pode ser provocada por diferentes agentes infecciosos, como vírus e bactérias. A doença ocorre quando esses microrganismos conseguem chegar ao pulmão e provocar uma infecção, que pode ser favorecida por fatores de risco a agressividade do microrganismo causador.
A pneumonia pode atingir pessoas de diferentes idades, mas alguns grupos estão mais suscetíveis a desenvolver a doença. Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas ou com o sistema imunológico comprometido têm maior risco de apresentar quadros mais graves, como afirma Daniela Cavalet Blanco, médica pneumologista cooperada da Unimed:
— Pessoas acima dos 65 anos chegam a ter três vezes mais chances de ter pneumonia do que as pessoas mais novas. Fumantes, portadores de doenças crônicas, sejam elas pulmonares (asma, enfisema, sinusites) ou de outras partes do organismo, pacientes imunossuprimidos, oncológicos, diabéticos, com doenças metabólicas ou obesidade também fazem parte da população de risco.
Quando a pneumonia se instala, os alvéolos — pequenas estruturas responsáveis pelas trocas de oxigênio e gás carbônico — podem se encher de líquido, secreções e células inflamatórias, em vez de permanecerem preenchidos apenas por ar. Com isso, a passagem do oxigênio para o sangue fica prejudicada. Juntamente com a resposta do organismo à infecção, esse cenário pode causar os sintomas mais conhecidos, como tosse, falta de ar e febre.
Como ocorre o contágio?
A transmissão depende do agente causador da pneumonia, garante a pneumologista. Entre as bactérias associadas à doença estão Legionella, moraxella e Haemophilus, além do pneumococo (Streptococcus pneumoniae), uma das causas mais comuns de pneumonia bacteriana. Já na lista de vírus, destacam-se agentes como influenza, vírus sincicial respiratório (VSR) e SARS-CoV-2, causador da covid-19.
— Na maioria das vezes, são bactérias que já estão ali, que moram no microbioma (conjunto de microrganismos que vivem naturalmente no corpo humano) e aí alguma coisa que predispõe, como o cigarro, o abuso de álcool, uma doença crônica ou metabólica, a baixa imunidade, o uso de medicamentos, pode contribuir com que pequenas quantidades dessas bactérias sejam aspiradas e cheguem aos pulmões — explica a especialista.
Há, ainda, a pneumonia estafilocócica, que pode surgir a partir de bactérias presentes em focos de infecção, como dentes em más condições ou lesões na pele, que podem alcançar a corrente sanguínea e chegar aos pulmões.
No caso dos vírus, o caminho é diferente: eles são transmitidos com mais facilidade, principalmente por gotículas e partículas eliminadas no ar por pessoas infectadas. Ao serem inalados, podem chegar às vias aéreas inferiores e infectar as células dos pulmões, provocando uma resposta inflamatória. Esses são os quadros mais comuns nesta época do ano.
— A infecção viral, por si só, pode causar uma pneumonia viral, mas também desequilibra o microbioma da via aérea. Aí uma bactéria que já está ali, é do bem, residente, pode se tornar agressiva e capaz de se reproduzir, causando uma infecção na via aérea inferior. Alguns pacientes têm os dois quadros sobrepostos, que costumam ser os casos mais graves — acrescenta Daniela.

Quais são os sintomas?
Os sintomas mais comuns da pneumonia são tosse, febre, falta de ar e dor ao respirar. A tosse pode vir acompanhada de secreção, especialmente nos casos bacterianos, quando o muco pode apresentar coloração amarelada ou esverdeada. Já nas pneumonias virais, é mais comum que a tosse seja seca. A pneumologista reforça que essa diferença não é o suficiente para determinar a causa da doença.
Tem a famosa pontada da pneumonia, que é uma dor ao respirar. A condição ocorre quando a pleura, que é a membrana que envolve o pulmão, inflama. Essa estrutura é cheia de nervinhos e, quando a pessoa enche o peito para respirar, estica a pleura e sente uma fisgada. Dependendo de onde é a pneumonia, a pessoa pode sentir dor nas costas, nas laterais, ou mais na frente.
DANIELA CAVALET BLANCO
Pneumologista
Também podem aparecer sinais como respiração acelerada, cansaço, perda de apetite e sensação de falta de energia. A intensidade e a forma como esses sinais aparecem, porém, variam conforme as condições de saúde de cada pessoa: em idosos e pessoas com baixa imunidade, por exemplo, a pneumonia pode provocar sintomas mais leves e até não causar febre, o que pode dificultar a identificação da doença e atrasar o diagnóstico.
Diagnóstico
A pneumologista observa que o diagnóstico da pneumonia é feito a partir da avaliação dos sintomas e do quadro clínico, que pode ser confirmado com exames de imagem, como raio-x ou tomografias, e, em alguns casos, exames laboratoriais.
Como o atraso na identificação da doença pode aumentar o risco de complicações, a recomendação é evitar a automedicação e procurar avaliação médica aos primeiros sintomas.
Um sinal de alerta é quando uma gripe ou resfriado, que normalmente começa a melhorar após o terceiro ou quinto dia, persiste ou volta a piorar. A febre retorna, a tosse se intensifica, surge catarro, falta de ar, dor ao respirar ou um mal-estar mais intenso.
O que entra no tratamento da pneumonia?
O tratamento depende da causa da doença. A médica ressalta que não é necessário aguardar todos os exames para identificar o agente infeccioso e iniciar a terapia. Nos casos bacterianos, o tratamento é feito com antibióticos; já nas pneumonias virais, podem ser indicados antivirais, quando disponíveis, além de medidas para aliviar os sintomas e dar suporte ao organismo enquanto o vírus completa seu ciclo.
— Para a pneumonia bacteriana, usamos um antibiótico direcionado para o perfil do paciente, considerando as doenças de base, a idade e o tipo de bactéria que o médico considera mais provável de ser o agente diagnóstico. Na maioria dos casos, não conseguimos definir. Quando o paciente é hospitalizado, dá para buscar a bactéria em exames de sangue, de escarro, de lavado brônquico e eventualmente testes de urina. Mas se o paciente não tem sinais de gravidade, vai ser tratado em casa com um antibiótico — pondera.
Em alguns casos, a fisioterapia respiratória também pode ser indicada para ajudar na eliminação de secreções e melhorar a respiração.
Vacinação é a melhor forma de prevenção
Entre as principais formas de prevenção da pneumonia estão manter a vacinação em dia e evitar o cigarro, além de levar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos. O tabagismo reduz as defesas das vias respiratórias mesmo quando a pessoa não tem uma doença pulmonar diagnosticada, deixando o organismo mais suscetível a infecções por vírus e bactérias.
Manter doenças crônicas sob controle também é importante para reduzir o risco de pneumonia, frisa a médica. Condições como diabetes, doenças pulmonares e problemas cardiovasculares podem aumentar a vulnerabilidade a infecções, por isso o acompanhamento médico e o tratamento adequado ajudam a preservar as defesas do organismo.
A vacinação ajuda a reduzir o risco de pneumonia e, principalmente, de formas graves da doença. No SUS, a proteção contra o pneumococo — uma das principais bactérias causadoras de pneumonia — passou a contar, em 2026, com a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), incorporada gradualmente à rede pública.
— Uma que ainda não está na rede pública, só na rede privada, é a vacina contra o vírus sensacional respiratório (VSR), que também é uma causa muito comum em crianças e, agora estamos vendo que em idosos também. Acima dos 50 anos, esse imunizante já é bem indicado — complementa Daniela.
Gaúcha ZH
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