Internacional
Foto: Arquivo/Divulgação

O prefeito Ricardo Leiva confirmou que El Soberbio acionou seu Comitê de Crise em resposta às previsões de chuvas extremas no segundo semestre de 2026. Com previsão de até 600 milímetros de precipitação, o município busca coordenar ações com as autoridades brasileiras em relação à barragem de Chapecó e está organizando censos para evacuar as famílias afetadas.

A cidade ribeirinha está se preparando para enfrentar um cenário climático complexo. O prefeito Ricardo Leiva confirmou que o município está trabalhando em um plano de contingência, considerando as previsões meteorológicas que indicam chuvas abundantes para o segundo semestre de 2026. Especialistas, inclusive do Hemisfério Norte, antecipam um grande fenômeno climático, que denominaram “Super Niño”.

A esse respeito, ele explicou que o governador da província convocou os prefeitos dos municípios ribeirinhos ao longo do Alto Rio Uruguai para tratar da situação. Na reunião, que contou com representantes da Subsecretaria de Proteção Civil e Alerta Precoce, eles foram informados sobre as projeções de “chuvas anormais” que poderiam triplicar a precipitação média mensal.

“Eles estão recebendo informações oficiais de que teremos chuvas anormais no segundo semestre do ano, com uma média de cerca de 200 milímetros e uma previsão de que talvez cheguemos a 600 milímetros, ou seja, o triplo”, revelou ele.

Diante dessa situação, El Soberbio acionou seu Comitê de Crise, em funcionamento desde 2017. Na semana passada, o prefeito se reuniu com representantes de diversas instituições locais, incluindo a Superintendência Municipal, a direção do hospital e o Corpo de Bombeiros. O Subsecretário de Defesa Civil também esteve presente. Durante a reunião, Leiva expressou sua preocupação com a barragem de Chapecó , localizada no Brasil, e a possibilidade de suas comportas serem abertas caso as chuvas sejam tão intensas quanto previsto, o que causaria inundações rio abaixo.

Coordenação regional

Com o objetivo de encontrar soluções e coordenar esforços, ele participou ontem de uma reunião em Três Passos, no Brasil. Estiveram presentes autoridades de uma associação que reúne 21 municípios, muitos deles litorâneos e também sujeitos a inundações. Leiva destacou a participação dos prefeitos de Panambí, Alba Posse e Aurora, além de representantes do governo estadual e do Sistema de Alerta Precoce.

“A ideia por trás desta reunião era compartilhar informações, e que eles também compartilhassem informações conosco, porque, após a catástrofe que sofreram em 2024, eles se prepararam e possuem equipamentos de ponta”, explicou. O prefeito destacou então o investimento de dois bilhões de reais em tecnologia feito pelas autoridades brasileiras, o que lhes permite obter informações climatológicas com mais de 90% de precisão. “Certamente, dependeremos muito dos dados deles”, enfatizou.

Outro ponto crucial da reunião foi a decisão de redigir uma carta solicitando um encontro com os executivos da barragem de Chapecó “para ver se existe a possibilidade de regular ou ajustar a situação, como podemos chegar a um acordo, se é que existe algum”, explicou Leiva. Ele enfatizou a importância de documentar esses esforços para que, em caso de inundação, ninguém possa questionar a falta de planejamento. “Estamos nos planejando, trabalhando para garantir que, quando chegar a nossa vez, estejamos pelo menos preparados.”

“ Queremos tranquilizar nossa população , porque aqueles que são sempre afetados estão muito preocupados. Queremos dizer-lhes que podem ficar tranquilos, que cuidaremos deles; estamos trabalhando para atingir esse objetivo”, enfatizou. O município já iniciou um censo para identificar as pessoas que vivem em áreas vulneráveis ​​e está planejando a limpeza de córregos e a preparação de centros de evacuação e espaços para armazenamento de pertences.

Em relação ao problema das famílias que se instalam em áreas de alto risco, ele mencionou um obstáculo significativo: “Esses bairros propensos a inundações estão localizados em propriedades privadas, portanto não temos poder para legislar sobre propriedades privadas.”

Leiva reiterou a importância da comunicação e da colaboração com as autoridades brasileiras, pois acredita que elas estão “bastante avançadas em tecnologia climatológica”. “O importante hoje é a comunicação, por isso estamos nos contatando para tentar nos preparar da melhor forma possível para essa situação, que obviamente é indesejável para todos”, concluiu.

Misiones Online

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