O dinheiro dos argentinos nunca valeu tão pouco. O peso argentino atingiu uma nova mínima histórica diante do dólar e acumula uma perda de aproximadamente 99,8% do seu valor desde 2009, em um dos maiores colapsos cambiais das últimas décadas.
A dimensão do tombo impressiona também na comparação com o Brasil: atualmente, 1 peso argentino vale cerca de R$ 0,0035, ou seja, menos de meio centavo de real. Na prática, R$ 1 compra aproximadamente 285 a 290 pesos argentinos, evidenciando a enorme diferença entre as duas moedas.
O cenário ocorre em meio ao governo de Javier Milei, que conseguiu uma importante vitória no combate à inflação após um duro programa de ajuste fiscal, cortes de gastos públicos e redução de subsídios. Apesar disso, a recuperação da confiança na moeda ainda é um dos maiores desafios da economia argentina.
Para muitos argentinos, o peso deixou de ser uma proteção financeira. Trabalhadores, comerciantes e famílias passaram a trocar seus rendimentos rapidamente por dólares, pelo chamado “dólar blue” ou por criptomoedas vinculadas à moeda americana, tentando evitar que suas economias percam valor de um dia para o outro.
O governo mantém as restrições para compra de dólares, conhecidas como “cepo cambial”, diante do temor de que uma abertura completa provoque uma nova corrida contra o peso e uma disparada nos preços.
O colapso da moeda revela o tamanho do desafio de Milei: controlar a inflação foi apenas a primeira batalha. Agora, o governo precisa reconstruir a confiança em uma moeda que perdeu uma das funções mais importantes de qualquer dinheiro: ser uma reserva de valor.
Enquanto a Argentina tenta recuperar a confiança no peso, o Brasil vê o real ganhar força e se destacar entre as moedas que mais se valorizaram frente ao dólar. No início de 2026, a moeda brasileira esteve entre as que mais se valorizaram frente ao dólar no mundo, com alta de 5,9%, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta com 28 países.
Fronteira 360
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