Polícia
Foto: Divulgação/Jornal Repercussão

O padre da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, acusado de estuprar um coroinha por anos em Riozinho, no Vale do Paranhana, se tornou réu. O juiz da Comarca de Taquara, Juliano Etchegaray Fonseca, que também atende Riozinho, aceitou a denúncia do Ministério Público e, com isso, o sacerdote se tornou réu. A pedido da própria justiça, o caso tramitará em segredo de justiça.

A informação da aceitação da denúncia foi confirmada pela assessoria de imprensa do Ministério Público do Estado. No entanto, maiores detalhes não foram repassados justamente porque o processo passa a tramitar em segredo de justiça. A promotora de Taquara, Cristina Schmitt Rosa, que abrange Riozinho, concordou com o indiciamento da Polícia Civil e, com base no inquérito coordenado pelo delegado Gustavo Menegazzo da Rocha, decidiu pela denúncia contra o religioso. Se condenado pelo crime de estupro contra menor, o padre pode receber uma sentença de 8 a 14 anos de prisão.

POLÍCIA CONCLUIU QUE ESTUPROS OCORRERAM DE 2013 A 2019

O padre é acusado de abusar sexualmente do coroinha, que também foi ajudante da igreja. O caso veio à tona em setembro do ano passado, quando a vítima, que agora já é maior de idade, decidiu fazer a denúncia à polícia. Conforme relato da vítima, os abusos teriam iniciado em janeiro de 2013, quando ele ainda era adolescente, com cerca de 14 anos, e somente cessaram no início de 2019, seis anos depois. O delegado que esteve à frente do inquérito, Gustavo Menegazzo da Rocha, encerrou a investigação no início de dezembro, mesma semana que o caso foi divulgado pelo Grupo Repercussão. Além da vítima, foram colhidos depoimentos dos pais do rapaz, da psicóloga que tratou o trauma, assim como foram cumpridos mandados de buscas na casa paroquial (onde os estupros aconteciam) e na igreja. “Também juntamos ao inquérito diversas conversas de WhastsApp. Em razão dos anos que passaram, não havia como solicitar provas periciais, mas conseguimos outras provas que consideramos suficientes”, explica o delegado.

SACERDOTE NEGA O CRIME 

A Polícia Civil também ouviu o religioso. Segundo o delegado Gustavo, a oitiva durou cerca de duas horas. “Ele negou. Em alguns momentos, na nossa avaliação, caiu em contradição. Negou e isso está registrado nos autos. Tudo que poderia ser feito em provas judiciárias, nós fizemos. Encaminhamos ao Judiciários e indiciamos ele por crime de estupro contra menor. Para nós, há elementos suficientes sobre a prática do crime”, reitera o delegado. Nomes da vítima e do acusado não estão sendo divulgados pela Polícia Civil por se tratar de um inquérito em crime praticado quando a vítima ainda era menor de idade. O nome do padre indiciado não foi divulgado pela polícia, pois se trata de um crime contra menor.

IGREJA AFASTOU O PADRE, QUE ESTÁ COM A FAMÍLIA

Conforme declarado pelo bispo Dom Zeno Hastenteufel à redação do Grupo Repercussão no último dia 30, assim que o caso foi divulgado e também chegou ao Judiciário, a Igreja Católica decidiu pelo afastamento do sacerdote. “Assim que o processo foi entregue para a Promotoria, nós o suspendemos do ministério e ele saiu de Riozinho. Ele não foi nomeado para nenhuma outra paróquia, ele está com a família. Vamos aguardar a decisão da justiça para sabermos sobre a situação dele”, informou o bispo. Dom Zeno confirmou que o padre, que atuou por longa data na cidade, não tem mais possibilidade de retornar para Riozinho. Se for inocentado ao longo do processo, ele passará a atuar em outra paróquia. Se for condenado pelo crime de estupro contra o coroinha, será feito um processo canônico e encaminhado para Roma, na Itália.

Jornal Repercussão