Polícia
Apreensão aconteceu na sexta-feira (1), em Ijuí. Foto: Polícia Civil/Divulgação

Dois funcionários do Hospital de Caridade de Ijuí, no Noroeste do estado, foram presos em flagrante por suspeita de receptação qualificada, na noite de sexta-feira (1). De acordo com o delegado Tiago Baldin, responsável pela investigação, dois de três lotes de medicamentos para câncer, roubados em Minas Gerais, foram encontrados no hospital.

A instituição é referência em tratamento e pesquisa em câncer no Rio Grande do Sul.

“É uma questão mais que criminal, mas de saúde pública, já que eram destinados a pacientes do SUS, de baixa renda e pouca instrução”, explica o delegado.

Foram presos a diretora financeira e o coordenador e compras da instituição durante uma operação da polícia no Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) do hospital. No local, foram apreendidas 100 caixas do medicamento, e uma nota fiscal no valor de R$ 609 mil. Os dois foram soltos, após pagar fiança, na manhã deste sábado (2).

Em nota, a diretoria do Hospital de Caridade de Ijuí informou que foi surpreendida com o fato. A instituição se colocou à disposição das autoridades e comunicou que está fazendo todos os esforços para mostrar que a compra foi regular. Além disso, nega qualquer insinuação sobre o envolvimento do hospital em roubo de cargas de medicamentos.

Carga roubada

Segundo a investigação, a carga foi roubada no dia 17 de outubro na BR-116, em Muriaé, em Minas Gerais. Homens armados teriam abordado o motorista, que transportava os medicamentos em um caminhão refrigerado, e colocado os remédios em outro veículo.

A carga do caminhão estava avaliada em mais de R$ 1 milhão. Cada ampola custa R$ 9 mil.

“Investigação foi rápida para evitar que os remédios roubados fossem aplicados em pacientes. Depois do roubo, nada garante que foram mantidos refrigerados e acondicionados apropriadamente”, contou ao G1 o delegado.

Cada caixa tem um selo holográfico, com isso a farmacêutica proprietária da carga pôde rastrear e identificar os medicamentos. Primeiro eles foram encontrados em uma distribuidora não credenciada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que vendeu para o hospital de ijuí, em 31 de outubro.

Todas as unidades do medicamentos foram lacradas, interditadas e guardadas em uma geladeira. Um juiz deve decidir o que será feito com elas.

Segundo a polícia, não há indícios de participação de outras pessoas da administração do hospital no crime. Se comprovadas as denúncias, o crime de receptação criminosa prevê pena de até oito anos de prisão.

“Os dois autuados têm mais de 30 anos de prestação de serviços no setor de compra e financeiro do Hospital de Caridade de Ijuí. Eles têm todas as condições, e a obrigação legal, de se certificar e se revestir de todas as cautelas necessárias para que toda, e qualquer compra, seja adquirida de forma regular”, disse.

Nota do Hospital de Caridade

A Diretoria da Associação Hospital de Caridade Ijuí, foi surpreendida com o fato ocorrido, na noite de sexta-feira, quando a Polícia Civil esteve no setor de farmácia da Instituição, na busca de medicamentos, supostamente roubados no interior de Minas Gerais.

A Instituição está envidando todos os esforços no sentido de demostrar a regularidade da operação de compra dos referidos medicamentos. Ao mesmo, tempo a Diretoria da Casa Hospitalar se coloca à disposição das autoridades, para auxiliar nas investigações e refuta qualquer tipo de insinuação sobre envolvimento da Instituição em roubo de cargas de medicamentos, pois sempre fez as aquisições com respaldo legal, pautada em cotações públicas, visando o melhor preço e qualidade dos produtos, de empresas regularmente cadastradas.

G1 RS