Saúde
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Em outubro deste ano, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso da melatonina como suplemento alimentar no Brasil. A decisão da agência estabelece que o produto só pode ser usado por pessoas com mais de 19 anos de idade e em doses que não ultrapassem as 0,21 mg por dia.

Farmácias do país já se preparam para as vendas do produto, que não dependem de receita médica, o que pode incentivar um uso indiscriminado da substância na opinião de especialistas.

Conhecida como hormônio do sono, a melatonina atrai pessoas que têm dificuldades para dormir ou dormem mal, mas, de acordo com o neurologista Luciano Ribeiro, coordenador da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo, ela é mais indicada para pessoas que trabalham de madrugada ou que viajam para lugares com fuso horário muito diferente do que estão acostumadas.

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A melatonina é produzida naturalmente pelo corpo no escuro, do anoitecer até o amanhecer, e está ligada aos ritmos e aos ciclos biológicos de vigília (estar acordado) e sono dos seres humanos.

“Ela é a principal substância de regulação desse ritmo, que define a produção de outros hormônios importantes, como o hormônio do crescimento”, diz Ribeiro. Outras funções do corpo também são controladas pelo chamado ciclo circadiano, que coordena o funcionamento do corpo durante o período de 24 horas.

Como a melatonina funciona?

De acordo com Ribeiro, a melatonina consegue atuar no ritmo do corpo e indicar quando é a hora de dormir. “Assim, um suplemento com a substância pode antecipar o início do sono. Um trabalhador que passa a noite acordado, por exemplo, pode tomar a melatonina ao chegar em casa para sinalizar ao corpo que é a hora de dormir”, diz.

Da mesma forma, uma pessoa que viajou para um lugar com fuso horário muito diferente do que está acostumada pode tomar a substância ao anoitecer para conseguir regular seu ritmo. Pessoas mais velhas, que têm uma produção natural de melatonina reduzida, também podem se beneficiar do suplemento.

Ribeiro lembra que a melatonina não é um hipnótico, como são chamados os remédios que induzem o sono de maneira mais direta.

Quando tomar a melatonina?

Para o neurologista, o primeiro passo quando o paciente percebe alguma dificuldade para dormir é procurar um médico. “Para cada pessoa vai haver uma indicação, a melatonina não vai servir para qualquer tipo de insônia“, afirma.

Ribeiro diz que os efeitos colaterais são geralmente muito leves, como sonolência residual no dia seguinte e dor de cabeça, mas a orientação de um especialista é útil também para minimizar essas possíveis consequências.

“Muitas vezes, o tratamento não depende apenas de um remédio. É preciso primeiro saber porque a pessoa não está dormindo bem. Existem mais de cem distúrbios do sono, e cada um tem um tratamento diferente”, diz o neurologista.

A dosagem terapêutica ideal também não está definida até o momento, segundo o médico. Por isso, a consulta com um especialista é essencial para definir a melhor estratégia ao fazer um tratamento com a melatonina.

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