Justiça
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Nesta sexta-feira (10) o Ministério Público do Rio Grande do Sul, através da promotora Michele Tais Dumke Kufner, realizou uma coletiva de imprensa, por meio de videoconferência, para atualizar informações sobre o caso Rafael. Rafael Mateus Winques foi morto na noite do dia 15 de maio pela própria mãe, na cidade de Planalto.

O Ministério Público entregou à Justiça a denúncia, onde indicia Alexandra Dougokenski por quatro crimes. Homicídio doloso, com 4 qualificadoras, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e fraude processual. As qualificadoras são: motivo torpe, motivo fútil, asfixia e por dificultar a defesa da vítima.

Durante a investigação foi feito um trabalho muito aprofundado de perícia, com inúmeros laudos e visitas ao local do crime. Além de realizar diversos exames no corpo de Rafael. Foram checados dados de celular e redes sociais, fazendo com que o MP chegasse a conclusão que em todos os depoimentos a mãe mentiu e tentou incriminar pessoas. Chegou a cogitar que o irmão ou o pai poderiam ter sumido com a criança, pra tirar dela o foco do crime.

A promotora lembrou ainda das diversas entrevistas aos meios de comunicação apelando para encontrar o filho e buscando toda a ajuda da comunidade e dos órgãos de segurança, fingindo uma emoção que não tinha, para tentar persuadir a polícia.

Alexandra não admitia ser desrespeitada e não ter a obediência do filho, e, de acordo com o MP, faria qualquer coisa para não perder essa posição dentro de casa. A promotora explicou que Rafael gostava muito de jogos eletrônicos no celular e por muitas vezes conversava com os outros jogadores, o que incomodava muito Alexandra. A mãe determinava horários para que o menino pudesse ficar no celular, porém Rafael começou a desrespeitar as ordens. Alexandra com medo de que o comportamento do filho mais novo, impactasse no filho mais velho, começou a arquitetar como se livrar do “problema”.

A partir da noite do dia 14 Alexandra começa a acessar vídeos e sites buscando formas de eliminar pessoas através da ingestão de medicamentos e por estrangulamento. Este é um ponto chave para a investigação do Ministério Público.

Na noite do dia 15, Alexandra coloca em prática o plano. Dá o medicamento para Rafael dormir e após o filho adormecer pega a corda e estrangula a criança. Depois, sabendo que os vizinhos estavam viajando, levou o corpo até o local que foi encontrado.

No dia seguinte Alexandra inicia o teatro do desaparecimento do menino e mobiliza as autoridades, família, amigos e a comunidade de Planalto nas buscas pela criança. Durante 10 dias, a criminosa ficou tentando criar provas falsas do desaparecimento de Rafael e concedendo entrevistas para parecer que a mentira inventada por ela era real.

A investigação apontou que o namorado de Alexandra, não estava na casa na noite do crime, o pai do menino também estava em outro município no dia da morte de Rafael, excluindo a participação de outras pessoas no crime.

A promotora relatou que a dose de diazepan encontrada no corpo do menino foi muito baixa e o máximo que poderia acontecer era a criança pegar no sono, mas sem letalidade.

O Ministério Público estima que a pena de Alexandra possa chegar a 42 anos de reclusão. Foi realizado o pedido de prisão preventiva e Alexandra será informada da denúncia para que possa iniciar sua defesa. A data do julgamento ainda não é possível prever, sendo que a mãe irá para o tribunal do júri.

Rádio Uirapuru