Com vitórias em Estados historicamente conservadores, o Partido Democrata impôs uma derrota importante para Donald Trump nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Ainda com a apuração em andamento em algumas regiões do país, na madrugada desta quarta-feira (4), os democratas conquistaram sete cadeiras que antes eram ocupadas por senadores republicanos e formaram maioria no Senado.
Os primeiros dados das apurações começaram a ser divulgados ainda na noite de terça-feira (3). No pleito, serão renovadas 35 das cem cadeiras do Senado e as 435 vagas da Câmara dos Representantes.
A oposição conquistou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, com vitórias nos Estados de Carolina do Norte, Carolina do Sul, Ohio e em redutos republicanos como Texas, Iowa e Kansas, Estado em que os democratas não venciam uma disputa para o Senado desde 1932.
Integrantes do partido prometem abrir investigações sobre o presidente, a sua família e o seu governo, assim como sobre a conveniência de continuar financiando a guerra no Irã.
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Democratas em vantagem
Desde o início da divulgação das parciais, os democratas já apareciam em vantagem. O partido de oposição a Donald Trump conquistou sete cadeiras que eram dos republicanos.
A principal virada veio no Texas, onde James Talarico foi eleito senador e derrotou o republicano Ken Paxton, procurador-geral do Estado. Tradicionalmente conservador, esta é a primeira vez em 38 anos que o Texas elege um senador democrata.
Com 50,6% dos votos, Annie Andrews derrotou Darline Graham (47,2%) na Carolina do Sul. Na Carolina do Norte, o ex-governador Roy Cooper venceu Michael Whatley.
Em Ohio, outra virada dos democratas. Sherrod Brown desbancou o republicano Jon Husted, de acordo com a NBC News.
Pela primeira vez desde 1932, o Kansas elegeu um candidato democrata para o Senado. Adam Hamliton venceu o republicano Roger Marshall.
No Estado de Iowa, outra virada para o partido de oposição a Trump. Josh Turek foi eleito senador, conforme projeções da imprensa norte-americana.
No Maine, o democrata Troy Jacskon derrotou a republicana Susan Collins e garantiu mais uma cadeira aos opositores de Trump no Senado.
Além da virada no Senado, segundo a CNN e a NBC News, os democratas devem conquistar pelo menos 244 cadeiras na Câmara dos Representantes, de um total de 435 cadeiras.
Trump reconhece a derrota
Em uma conversa com jornalistas do jornal New York Times, Trump reconheceu a derrota.
— Estou absolutamente disposto a aceitar estes resultados — declarou, segundo o jornal.
— Acho que os democratas fizeram um bom trabalho, realmente acho — acrescentou em entrevista ao canal Fox News, afirmando que “eles lutaram de maneira dura”.
Antes disso, quando as projeções começaram a apontar a vitória democrata, o presidente afirmou, em publicação na Truth Social, que os republicanos teriam uma “vitória esmagadora” se ele estivesse concorrendo.
Já na madrugada desta quarta-feira, ele postou a imagem de um boné com a palavra “veto”, o que a imprensa norte-americana interpretou como uma indireta do presidente, sinalizando que vai vetar projetos da oposição.
Governo Trump
Em seus dois primeiros anos de mandato, Trump lançou campanhas militares de sucesso desigual na Venezuela e no Irã, determinou cortes de impostos e assinou dezenas de decretos presidenciais. Ele admitiu que o conflito com o Irã pode ter contribuído para a derrota de seu partido, mas defendeu a ação militar.
Após a divulgação dos resultados, o principal negociador iraniano nos diálogos com Washington, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que os americanos votaram “não à guerra”. O resultado nas urnas reflete ainda preocupações com o custo de vida, diante do aumento dos preços dos combustíveis e dos preços dos alimentos.
Por que a votação é sempre na terça-feira?
A data escolhida para a votação nos Estados Unidos tem razões históricas. Sob o contexto agrícola do século 19, foi aprovada em 1845 pelo congresso uma lei que determinava como dia da votação a primeira terça-feira após a primeira segunda-feira de novembro.
O momento escolhido facilitava a participação de eleitores que viviam nas zonas rurais, além de impedir que as eleições acontecessem em 1º de novembro, que é o Dia de Todos os Santos.
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A escolha, também, respeitava aspectos culturais da sociedade norte-americana. Na época, o fim de semana era geralmente dedicado a atividades religiosas, e a quarta-feira era voltada ao mercado em áreas rurais.
Gaúcha ZH






